segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Seus olhos e seus olhares


SEUS OLHOS – Analice Alves
Seus olhos me transmitem
O que nem eu mesma sei
Caso traga o peito longe de ti
É porque não esqueci
Que um dia te amei

Talvez a distância te faça
Lembrar e a ter saudades de mim
Espero que eu mesmo ausente

Esteja pelo menos presente
Em seu pensamento, por fim.

Talvez o futuro nos programe
Um novo encontro
Uma nova rotina
Uma outra história para contar

Ou talvez o futuro me dê de presente
O esquecimento
E uma nova pessoa para amar.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

No escurinho do cinema


SINOPSE:
Agente federal treina sua jovem pupila quando descobre pistas de uma garota desaparecida. Ele acredita ser a conexão com um acusado de ofensa sexual em liberdade condicional.



Justiça a qualquer preço

Um filme pesado, triste e verdadeiro, ou seja, muito bom.
Tropa de Elite amanhã? Poxa, pelo menos uma pessoa precisa ir ao cinema ver um filme que todo mundo já viu! Há.
=)

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Os poréns


Trecho da vida - Para contar depois – Analice Alves

(Fictício)

“Seu pai foi embora, mas ele te ama”, cresci ouvindo essa frase e, na verdade, não adiantou muita coisa. Minha mãe, coitada, ficou anos tentando me convencer de que o meu pai, aquele homem conhecido apenas por fatos e fotos, ainda, em algum lugar desconhecido, pensava em mim. Minha casa era cercada por fotografias de meu pai. Em todos os poucos cômodos havia pelo menos um retrato dele. Essa era uma das estratégias que minha mãe inventou para, de algum modo, me mostrar que ele estaria sempre presente. Um rosto tão combalido e estranho. Em todas elas, ele está com aquele sorriso forçado exibindo uma felicidade falsa ou, simplesmente, expressando um sorriso exagerado para a pequena e real felicidade. “Seu pai foi embora, mas ele te ama”, às vezes, irritava ouvir tantas repetições de minha mãe, mas eu sabia que tudo aquilo, toda aquela encheção de saco era só pra me ver mais contente. Cresci sem a presença de meu pai, sem telefonemas e incentivos paternos. Descobri os nomes e marcas dos carros por mim mesmo, me interessei pelos times futebolísticos e pelas meninas por minha conta. Sabia que mais cedo ou mais tarde, minha mãe contaria toda a história. Aquela vida cheia de dificuldades que levávamos, eu em colégio público tendo que trabalhar na feira depois, minha mãe ganhando uma miséria como costureira e lavadeira. Essa vida que era feia, mas honesta era fruto do sumiço de meu pai. Minha mãe, uma moça bonita que reservara a sua vida ao homem que viria a ser meu pai, casara virgem, de branco, na igreja da cidade. Aquilo tudo parecia o começo de uma vida de sonhos e, creio eu, ela nunca imaginou que um dia falaria ao filho “seu pai foi embora, mas ele te ama”. O que mais me orgulhava em minha mãe, era o fato de ela nunca ter sentido ou, pelo menos, nunca ter expressado rancor pelo meu pai. Às vezes, quando eu estava distraído fazendo a lição, vendo tevê ou lendo um livro, pegava-a olhando pra mim com um sorrisinho sereno. Ela dizia “agora você fez a cara do seu pai!”. Na infância, imaginava meu pai um homem de barbas feitas e camisa social. Imaginava que jogaríamos bola e falaríamos besteiras, imaginava nós dois pelas lojas enlouquecidos e confusos em pleno dia das mães a fim de comprar algo para a minha mãe. Imaginava ele indo embora, mas com o coração pesado por ainda me amar. Sempre pensei que amor entre pai e filho era puro e simplesmente imortal. Nunca cobrei explicações de minha mãe, se era difícil pra mim como filho, era ainda pior pra ela que se enchera de sonhos no início da nova vida. Quando ela sentou na beira de minha cama e começou a balbuciar o nome de meu pai, entendi que ali, naquela hora, ela contaria tudo. Seus olhos encheram-se de lágrimas, suas mãos tremiam. Olhei no fundo de seus olhos, apertei suas mãos e disse: Meu pai foi embora, mas ele me amava.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Sentimentos aqui dentro não faltam


Soneto do amor pra vida inteira – Analice Alves

Prometo te fazer dormir como um filho
Vagar pelo teu corpo de menino triste
Largar aos pés da cama o meu vestido
Por mais que o meu amor já não duvide

Prometo encontrar em ti a real felicidade
Nunca desmemoriar seu nome e gestos
Não deixar de sentir o que odeio: a saudade
Não confundir seu rosto com outros e mesmos

Prometo te amar de todas as reais maneiras. Te
fazer chorar, te fazer sorrir, te fazer meu homem
Encontrar em meu peito o desespero de um grito

E quando não mais souber como te alegrar e amar
Prometo vagar dia adentro, noite afora, cansada e
feliz, rodar o mundo até encontrar outro artifício.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

O velho sem joelhos





- achei essa música na casa de Rubem (Alves, grande mestre). Chico Buarque não é humano, não pode ser...


O VELHO
Chico Buarque
1968


O velho sem conselhos
De joelhos
De partida
Carrega com certeza
Todo o peso
Da sua vida
Então eu lhe pergunto pelo amor
A vida inteira, diz que se guardou
Do carnaval, da brincadeira
Que ele não brincou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
Só a caminhada
Longa, pra nenhum lugar
O velho de partida
Deixa a vida
Sem saudades
Sem dívidas, sem saldo
Sem rival
Ou amizade
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me diz que sempre se escondeu
Não se comprometeu
Nem nunca se entregou
E diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
E eu vejo a triste estrada
Onde um dia eu vou parar
O velho vai-se agora
Vai-se embora
Sem bagagem
Não se sabe pra que veio
Foi passeio
Foi Passagem
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me é franco
Mostra um verso manco
De um caderno em branco
Que já se fechou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Não
Foi tudo escrito em vão
E eu lhe peço perdão
Mas não vou lastimar

domingo, 30 de setembro de 2007

Ainda amamos


Poesia antiga e necessária.

AINDA – Analice Alves

Minha alma ardente
Não mente pra minha mente
Quem sabe isso
Seja indício de amor

Meu corpo
Tão morno
Torto, frágil
Ainda aquece
E contém vapor

Esse sentimento
Tão forte
Que me torna
Tão frágil
E corajosa
Ao mesmo tempo

Essa ânsia
De te encontrar
Esteja você
Com ou sem ela
Faz-me amar mais
O mundo
E a querer mais do que
Tudo

Seja no sol, na chuva
Encontro em mim
A vontade de te ter
Permanece em mim
O amor que pensei
Ter perdido

Penso, anoiteço, escrevo
Escrevo, escrevo, escrevo
E na realidade, mal sei o que faço
São poemas...Poemas apenas
Letras soltas, mastigadas
Palavras tortas
Que já nem sei o que soam.

No calor, no torpor, no inverno
Talvez em dezembro
Fora de hora
Talvez um outono
Que embrulhe meu sonho
Talvez o sorriso
Que já não sei sorrir
Talvez na perda
No escuro
Do outro lado
Do muro
Encontre o motivo
De tudo

Não sei mais o que sou
Não sei mais o que fui
Não sei mais o que posso ser
Apenas sei que meu peito chora
E apesar das dores e desenganos
Ainda sei que ainda te amo.

03/01/06

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

A Metalinguagem de cada dia


Thank You for Saying Thank You – Charles Benstein

This is a totally/accessible poem./There is nothing/in this poem/that is in any/way difficult/to understand/.All the words/are simple &/to the point./There are no new/concepts, no/theories, no/ideas to confuse/you. This poem/has no intellectual/pretensions. It is/purely emotional./It fully expresses/the feelings of the/author: my feelings/,the person speaking/to you now./It is all about/communication./Heart to heart./This poem appreciates/& values you as/a reader. It/celebrates the/triumph of the/human imagination/amidst pitfalls &/calamities. This poem/has 90 lines,/269 words, and/more syllables than/I have time to/count. Each line,/word, & syllable/have been chosen/to convey only the/intended meaning/& nothing more./This poem abjures/obscurity & enigma./There is nothing/hidden. A hundred/readers would each/read the poem/in an identical/manner & derive/the same message/from it. This/poem, like all/good poems, tells/a story in a direct/style that never/leaves the reader/guessing. While/at times expressing/bitterness, anger,/resentment, xenophobia,/& hints of racism, its/ultimate mood is/affirmative. It finds/joy even in/those spiteful moments/of life that/it shares with/you. This poem/represents the hope/for a poetry/that doesn't turn/its back on/the audience, that/doesn't think it's/better than the reader,/that is committed/to poetry as a/popular form, like kite/flying and fly/fishing. This poem/belongs to no/school, has no/dogma. It follows/no fashion. It/says just what/it says. It's/real.