sábado, 14 de junho de 2008

A gente sempre sofre por querer

Metáfora do amor – Analice Alves

O amor me achou
Mesmo perdida
Em bares estreitos
Em lares alheios
Em bulevares

Quero deitar em meu leito
Encostar-te em meu peito
E gemer de alegria
- a maldade é toda deles
Nosso amor é puro
Tão puro que ele próprio nos basta
Tapo meus ouvidos, minhas narinas e minha boca
E ainda continuarei a ouvir seus planos
Continuarei dizendo
Que te amo
Sentirei o cheiro daquilo
Que eu não conhecia antes de você

Agora eu só quero
Deitar na cama
E fechar meus olhos
Pra que beije minhas pálpebras
Enquanto sonho contigo
Enquanto espanta o perigo
De eu não saber quando e como

Com você posso ser eu
Posso encontrar a realidade
Menos verdadeira
Posso sonhar acordada
Sem ser taxada de boba
Posso andar lépida pelas calçadas
Sem medo de cair de novo.

O amor de tão presente
Faz-se desnecessário
Já que se entranhou em nossos corações
De tal modo estranho e controverso
Impregnou nossos sorrisos
E o teu é a sua própria metáfora

E quando sairmos pelas ruas
Pelas avenidas, pelas praças, pelas barcas
Saberão quem somos
Enxergarão em nossos olhares
O amor marcado como tatuagem
Verão o sabor do sentimento em nossos rostos
E então, meu querido, já não precisaremos mais dele
Passaremos adiante pra que ele ilumine também
A vida de tantos outros.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Felicidade: talento ou arte?


Parece masoquismo postar um texto desses numa fase tão "feliz" da minha vida, mas se faz necessário a partir do momento em que preciso guardar esse escrito em algum lugar. Como não ando confiando (viva o gerundio!) muito no meu computador (meu orkut pirou!), posto aqui mesmo. Pra quebrar um pouco o clima deprê, um pedaço da música do Tom.

Ainda sem nome - Tom e Eu

"Correndo na contramão
Sem perceber e sem olhar pra trás
Mesmo em suas mãos
Eu subo mil degraus a mais
Talvez o tempo decida o que fazer de mim
Sem você já nem tenho ideais
Tudo o que eu sinto
Tudo o que vejo
Tenho vontade de lhe dizer
Mas o que fazer, o que chorar
Se perco a voz
Ao lhe ver passar"


Na aula de teoria - Analice Alves

Outro dia, minha professora disse algo que me abalou: A felicidade não existe. Aquilo me feriu de um jeito que eu nem sei muito bem como explicar. Ela disse aquilo como se estivesse revelando à crianças crescidinhas que Papai Noel não existe. O pior de tudo é que a base de sua teoria era bem sólida: Não existe felicidade total. Ninguém é feliz o tempo todo, ninguém é completamente feliz 24 horas por dia durante toda a vida e, queridos, felicidade é isso, ser feliz o tempo todo.
Ninguém é feliz o tempo todo, isso é verdade. Todo mundo chora por ter visto um cãozinho abandonado ou por ter perdido o dinheiro todo na Bolsa de valores, pela morte de um parente distante ou pela perda de um amigo próximo, muitos já tiveram depressão pós filme ou tristeza pré ocupada. Todo mundo sofre e, por isso, a felicidade não existe. Aquela felicidade cheia de sonhos realizados, dinheiro no bolso, preocupações em estágio zero, o melhor emprego do mundo, o par da sua vida do seu lado, de bem com a balança, com a saúde em dia, ter tudo o que quer, filhos sadios, inteligentes, responsáveis e bem sucedidos, amigos de verdade, o pão de cada dia sobre a mesa...Ninguém tem tudo isso e eu falo isso com firmeza. Uma pessoa pode até se sentir a mais feliz do mundo, mas pode ter certeza que existe uma melhor do que ela. E, pior, pode ter certeza que aquela felicidade terá fim. A felicidade está, assim como a liberdade, na evolução. Por que? Porque ser feliz é pros poucos, pros evoluídos. Só os evoluídos não precisam de problemas para evoluir, porque já estão no ponto. Parece feio e triste pensar assim, afinal, a maioria vive em busca da tal felicidade. Como essa felicidade de sonhos não existe na realidade, buscamos um outro conceito para ela: felicidade é ser feliz apesar dos problemas. Viver a vida como uma eterna Pollyanna.

Frase: “Meu objetivo na vida não é a felicidade, mas ter liberdade para procurá-la”.
(Caetano Veloso)

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Lembre de mim

- Analice Alves

Queria-te como namorado
Ter-te sempre ao meu lado
Enriquecendo minha existência
Como um pincel que pinta um quadro

Queria que você lembrasse
Das tantas conversas que jogamos fora
De todos os desentendimentos
Do amor que sentiu e eu sinto

Lembre de mim, por favor
Quando mais tarde te encontrar nas ruas
Nas esquinas reformadas de uma cidade modernizada
Lembre de mim, por favor
Quando encontrar meu retrato perdido em tuas gavetas
Quando sentir meu perfume em outra mulher
Lembre de mim, por favor
Como a menina que tremeu num primeiro beijo
Como a garota que corava ao lhe ver passar

Queria que você sentisse o que sinto
Queria que as paredes falassem
E me consolassem dizendo que você me ama.
Sim! Você me ama! Mas não diz
Talvez nem saiba e nem queira saber

Queria que meu coração
Se transformasse num rio
Cheio de peixes coloridos e vida
Um mar, um oceano cheio de erros
Mas sempre com você por perto
É certo, que apesar de tudo estaria feliz
Lembre de mim, por favor
Mesmo que não haja mais amor
Mesmo que as paredes não falem
Mesmo que os retratos tenham se perdido
Mesmo que os “mesmo que” sejam apenas repetições
Para embelezar um poema sem vaidades
Lembre de mim, por favor
Como aquela que sempre vai te amar
Mesmo que em meu peito
Não haja mais cisnes a nadar.


OBS: Estou bem cansada, mas posto em homenagem aos dois meses de amor e cumplicidade com alguém muito importante pra mim.


"Cuida de mim enquanto não esqueço de você" (O Teatro Mágico)

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Chuva de setembro



- Analice Alves


Felicidade não se compra
Mas se quiser
A gente planta num terreno fértil
A esperança brota no peito
Como a flor já acostumada
Com as chuvas de setembro
Quando a gente dança
Sei que é pra dançar
Quando a música pára
Ou quando falta o par
Sei que a vida
Continua a bailar por nós
E o tempo se encarrega
De unir ou desatar os nós.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Esponjas não ficam bem de brincos


“Até o instante em que decidi proteger-me, nada houvera de verdade. E não haveria de haver, já que eu era Lady Ashley, em O sol também se levanta, quando bebia demais e resolvia seduzi-lo descaradamente. E era Dixie Beggs, depois, toda misteriosa, em seu quarto de Essa valsa é minha, com seus três macaquinhos de porcelana, que comprei iguaizinhos, num brechó. E era também Fábio Júnior, a cantar emocionada dores que jamais sofrera. Sou assim, mil personagens, desde pequena”.

(YOUNG, Fernanda. O efeito Urano. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

As luzes escuras de um coração suburbano

– Analice Alves

Sempre odiei o fato de ele acender a luz durante o dia. O sol invadindo a casa e ele transformando-a numa pequena Paris. Irritava-me todo esse desperdício que não parava por aí. Vez ou outra, acordava com barulhos de águas escaldantes. Ele dava descarga a troco de nada em todos os banheiros da casa, mesmo quando estavam mais limpos do que ele. Não adiantava dizer nada. Ou brigávamos ou discutíamos. Sua presença, na maioria das vezes, me causava repugnância, vontade de não voltar só pra não ter que olhar pra cara dele ou não ter de ouvir aquela voz agoniada que me agoniava também. Eu tinha pena de sentir aquilo por ele, sentir algo tão estranho e ruim por uma pessoa, seja lá quem, é angustiante pra mim. Quando ele anda pesado pela casa, o chão treme e eu fico nervosa, achando que ele está mais bravo do que de costume. Quando ele me olha. Ah! Quando ele me olha...eu não sei se é aprovação ou reprovação, não sei se ele vai começar a falar sobre assuntos chatos ou reclamar de uma vida que ele diz ter. Era bastante egoísta e eu tinha muitos argumentos pra provar isso, mas ele tinha muitos outros que comprovavam o contrário. Ele não sabia que era a pessoa que mais me fazia sofrer. Chorava 30 dias no mês, sendo 20 por brigar com ele e 10 por tristeza de não conseguir perdoá-lo pelos erros mais incompreensíveis da minha vida. Tinha vergonha das próprias fraquezas e acabava transformando-se numa pessoa pouco humana, uma bomba relógio que explode em tempos distintos. Não dá pra prever. Era ameaçador encará-lo, tudo nele me reprimia. Palavras mais ou menos ofensivas, ditas por ele era avacalhador. Era uma imagem tão severa que tudo nele tomava maiores proporções. Lutei a vida inteira para conseguir evoluir nesse ponto, mas é mais fácil aprender japonês em braile do que perdoar certas coisas. Queria muito ser melhor pra te perdoar e vivermos uma vida feliz, queria muito não ser eu pra conseguir enxergar amor e felicidade no fim desse túnel. Já mudei tantas coisas, já perdoei tantas pessoas, não costumo guardar mágoa. Desculpe-me, por favor, mas não consigo te perdoar.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

não posso parar


Antes de entrar pra faculdade, achava que eu sabia muito sobre Literatura. Claro que sabia que eu não sabia tudo, mas me achava boa nessa matéria e, talvez por isso, tenha escolhido a faculdade de Letras. Mas não via coisas que hoje me parecem essenciais, detalhes literários que eu não sei como conseguia ler sem eles. Vejo que quanto mais eu estudo, menos eu sei e a sabedoria está aí: não ter medo de se entregar a algo que vai te levar ao “só sei que nada sei”. É incrível, sei que não é só na Literatura que sentimos isso, sinto isso na música também, apesar de não ter estudado tanto quanto eu gostaria. Quanto mais toco violão, entendo menos, quanto mais toco flauta, entendo patavinas, quanto mais canto, sinto minha voz perdida num universo de barulhos roucos. Talvez se eu tivesse coragem de fazer música, sentiria a mesma coisa que sinto por ter escolhido Letras. Não me arrependo de acordar cedo, ir pra UFF e sentar naquelas carteiras menos piores do que eu imaginava, não me arrependo de ter aula com pessoas que dizem que a felicidade não existe ou que no Brasil chove pra burro e nos EUA chove cats and dogs. Amo estudar as coisas que não sei e mais ainda, descobrir que tenho tempo (ou espero) pra estudar tudo isso.
Não enxergava que Borges era irônico e não entendia quem era esse estrupício do Pierre Menard!* Adorava Dostoievski, mas não sabia escrever o nome dele. Continuo com meus escritores favoritos, mas conhecer os precursores é essencial. Pra quem quer saber como eu estou, o que sinto em relação à faculdade e à vida, um pequeno relato. Sim, tem gente que quer saber da minha vida e eu faço questão de dizer, porque são pessoas muito queridas, mas que se distanciaram com o tempo e, talvez, sejam intimidadas por ele a me perguntar alguma coisa.
Fora a parte acadêmica, estou “trabalhando” bastante musicalmente. Tenho escrito muitas letras de músicas que o Tom Carlos (ele odeia quando o chamo assim) coloca melodia e a gente tenta. Eu queria cantar uma das nossas músicas no Ídolos (ou Astros?), mas ele é tímido demais pra isso (vamos fingir que acreditamos). Na verdade, ele é anti SBT e anti qualquer outro canal de tevê. Mas eu ainda não desisti, ano que vem eu procuro alguém que tenha a coragem de ir comigo. Alguém se habilita?
Outra coisinha, quem quiser ouvir alguma das nossas músicas, me peça pelo MSN que eu mando. O problema é que elas foram gravadas logo nos ensaios, ou seja, está precária a gravação, com alguns erros, tosco mesmo! Mas eu mando assim mesmo, vamos colocar a cara a tapa logo!
O que sinto agora é vontade de realização, saudades da minha infância e das minhas amigas paulistanas e paulistas, dos dias inesquecíveis em Brasília, de ver o Fábio sendo assediado por coroas, Saudade existe sim, apesar de alguns acharem que é mera falta do que não houve.

Estou lendo:

Madame Bovary – Gustave Flaubert
Montanha Mágica – Thomas Mann
Efeito Urano – Fernanda Young
Para viver um grande amor – Vinicius de Moraes
Teoria da Literatura – Vitor Manuel Aguiar e Silva (?)
Chega, né?

Beijos