- Ana Lee C. e Pedro Igor
É quando a noite cai, silente,
e quando a voz resolve, em sussurro
seguir a lua que se ergue novamente
contra o mesmo eu de sempre, então urro.
E a lua me mostra os teus olhos, meu menino
Como bolas de gude com direção certa a atingir meu peito
A admitir ser frágil e fraco, nascido cansado
E pronto pra ser meu de direito
E esse estranho dueto feito à lua
reveste dono e possuído com fervor
de modo que pela branca luz e nua
as mentes de ambos era mente de amor.
Amor revestido de agonias simplórias
Visto como batalha e não como vitória
Uma luta contínua da qual saímos vencidos
Feito poemas rabiscados, num cômodo esquecidos
E a cada rascunho que fazemos em nós
cresce o desejo por ser quem se é
sem máscaras, conceitos ou voz
Mas ser essência, mesmo que doa, em nossa fé
O que nos separa é mais que uma ponte
É uma fonte insegura, um teto sem chão
Mesmo nua me dispo sem pudor
Minha fé existe, tu és minha religião
E a beleza de cada beijo em verso
contaremos dia-a-dia como em prosa
nossa vergonha será santa e o universo
de nosso desejo será profano como a rosa
terça-feira, 4 de agosto de 2009
sábado, 1 de agosto de 2009
Contrário
- Analice Alves
se o tempo tivesse um contrário
e esse contrário apagasse o que o tempo construiu
eu compraria um bocado desse oposto
gramas, quilos, litros, metros
apagar o que foi vivido
parece feio e contra a natureza que me foi imposta
mas seria o único meio de esquecer tudo aquilo que fui
por você
tudo aquilo que deixei de ser por mim
pra me doar de corpo e alma
as fotos perdidas no chão
são produtos de uma história hoje sem direção e sentido
falta enredo, falta meio e fim
sobram freios
às vezes dá medo mexer no que foi vivido
o passado é um cadáver apodrecido em meu jardim
enrolado num tapete
sujando meu carpete
é tudo aquilo que está esquecido num canto qualquer
e, ao mesmo tempo, está presente como o relógio em meu pulso
como o telefone fora do gancho com a secretária ligada
- o passado manda lembranças
se na mercearia da esquina
vendesse o contrário do tempo
certamente eu compraria
mesmo correndo o risco de perder todo o tempo que me resta
mesmo se fosse caro e eu tivesse de vender meus trajes de agora
e meus pijamas
eu compraria apenas com o intuito de desfazer
o que foi feito
de ter o tempo de ponta cabeça
desescorrendo em meus dedos
o ponteiro correndo ao contrário
o sino a desdobrar.
se o tempo tivesse um contrário
e esse contrário apagasse o que o tempo construiu
eu compraria um bocado desse oposto
gramas, quilos, litros, metros
apagar o que foi vivido
parece feio e contra a natureza que me foi imposta
mas seria o único meio de esquecer tudo aquilo que fui
por você
tudo aquilo que deixei de ser por mim
pra me doar de corpo e alma
as fotos perdidas no chão
são produtos de uma história hoje sem direção e sentido
falta enredo, falta meio e fim
sobram freios
às vezes dá medo mexer no que foi vivido
o passado é um cadáver apodrecido em meu jardim
enrolado num tapete
sujando meu carpete
é tudo aquilo que está esquecido num canto qualquer
e, ao mesmo tempo, está presente como o relógio em meu pulso
como o telefone fora do gancho com a secretária ligada
- o passado manda lembranças
se na mercearia da esquina
vendesse o contrário do tempo
certamente eu compraria
mesmo correndo o risco de perder todo o tempo que me resta
mesmo se fosse caro e eu tivesse de vender meus trajes de agora
e meus pijamas
eu compraria apenas com o intuito de desfazer
o que foi feito
de ter o tempo de ponta cabeça
desescorrendo em meus dedos
o ponteiro correndo ao contrário
o sino a desdobrar.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Precipício
- Analice Alves
Parto do princício
de que te amo
e assim pensando
imagino que caio
num abismo sem deus
num mundo sem inércia
numa jaula com leões
Parto do pressuposto
de que te odeio
e assim conscientizo-me
que sou água, terra, fogo
e o ar me falta
e eu quero fechar a janela
e sentir calor
abrir tua camisa
arrebentar teus botões
deixar meu suor misturar-se
às lágrimas amargas que já não choras
não tenho motivos, meu amor
se o sêmen se espalhou sobre o meu corpo
se o gozo é maior que o teu sufoco
se me tocas e nada sinto
és pequeno.
Parto do princício
de que te amo
e assim pensando
imagino que caio
num abismo sem deus
num mundo sem inércia
numa jaula com leões
Parto do pressuposto
de que te odeio
e assim conscientizo-me
que sou água, terra, fogo
e o ar me falta
e eu quero fechar a janela
e sentir calor
abrir tua camisa
arrebentar teus botões
deixar meu suor misturar-se
às lágrimas amargas que já não choras
não tenho motivos, meu amor
se o sêmen se espalhou sobre o meu corpo
se o gozo é maior que o teu sufoco
se me tocas e nada sinto
és pequeno.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Despedida
Se me perco na ventura
Do teu beijo
E o teu desejo
É a tormenta que anseio
Nada posso desejar
Além dos meus seios em tuas mãos
E meu toque em teu corpo
Se me encontro
Nas mentiras que me dizes
E nas promessas
Que não fazes,
Encontro-me perdida
Num mundo de verdades,
Perco-me dentro da alma que habito,
Não me completas
Vejo o tempo passar
Pela queda dos cabelos
Pelo balanço do mar
A areia ziguezagueando na ampulheta
Estou certa, não estou de passagem,
Nem que a vida seja apenas
Tocar-te punheta
Fazer-te feliz com meu toque
Selvagem
Veja a nós perdidos
Em busca de um amor eterno
Uma paixão plena na estrada da vida
Se o nosso amor não tem nexo,
Só sexo
Basta respirar o ar
Da despedida
terça-feira, 30 de junho de 2009
Estrada
- Analice Alves
Os carros passam. Eu passo. Como o cheiro do sêmen em nossos lençóis. Como o corpo crucificado por um pecado à toa. Como a solidão que dói. O tempo passa. Eu passo. Palavra escondida na língua. Beijo penetrado na boca. Fora do ar. Garoa que embaça meu vidro. Inverno que congela um coração já morto. Construo feito um operário. Estou só. Você também. Na estrada tudo é pior e maior. Tudo dói. Somos dois. Não tenho razão. Vou.
São Paulo, 26 de junho de 2009.
São Paulo, 26 de junho de 2009.
domingo, 21 de junho de 2009
Um momento
Meu amor, penetre o que tens
De maior e mais valioso
No meio de mim
E num movimento de ida
E volta
Venha pra ficar
Abra as portas do meu vestido
Tire a cor da minha boca que é tua
Enfie tua língua no meu céu
Procurando a lua
Beije-me o ventre
Acaricie minha barriga
Como se nela carregasse um filho teu
Jogue-me na cama, desfaça-me as tranças
E o dedo que é médio
Passa a ser intermédio
Do pouco falo
- o que não te faltas
Olha-me no olho
Recite frases feitas
Enalteça o que tens de maior
E mais valioso
O cheiro do gozo
Impregnado na cama
Já é passado, já é passado
O presente é chama, brasa ainda quente
Chuva de verão
Na hora, no ato
Perco-me de mim
Somos nós um único membro
Eu a abrir a janela
E você a me chover por dentro
- Um momento, um momento!
O dia termina
E a noite é uma criança
Encrenqueira
Visto o vestido, refaço minhas tranças
Para me desconsertar de novo
E por inteira
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Oferta
- Analice Alves
Toma meu peito, amor
E se faça nele presente
Escreva poemas em meu ser
Tatue teu nome em meu ventre
Arranque os cabelos
Toma meu amor, querido
E aproveite bem enquanto é tempo
O vento já balançou os meus cabelos
Num eterno descontento
Toma meu sangue, amor
E inclua minhas dores em tuas preces
Acenda uma vela ao santo que confias
Ofereça um ramo em meu nome
Toma meu suor, amor
E se esforce junto a mim
Batalhe pelo dia de ontem no amanhã
Enalteça o que silencio sem mentir
Toma este vinho, meu bem
E faça o que fiz em tua ausência
Pedi perdão, chorei, senti tua falta
Caí em desespero
Toma este poema, amor
E guarde como um regato extremo de bondade
Não escrevo para quem chamo
Escrevo o que vivo
E vivo para os que amo.
Toma meu peito, amor
E se faça nele presente
Escreva poemas em meu ser
Tatue teu nome em meu ventre
Arranque os cabelos
Toma meu amor, querido
E aproveite bem enquanto é tempo
O vento já balançou os meus cabelos
Num eterno descontento
Toma meu sangue, amor
E inclua minhas dores em tuas preces
Acenda uma vela ao santo que confias
Ofereça um ramo em meu nome
Toma meu suor, amor
E se esforce junto a mim
Batalhe pelo dia de ontem no amanhã
Enalteça o que silencio sem mentir
Toma este vinho, meu bem
E faça o que fiz em tua ausência
Pedi perdão, chorei, senti tua falta
Caí em desespero
Toma este poema, amor
E guarde como um regato extremo de bondade
Não escrevo para quem chamo
Escrevo o que vivo
E vivo para os que amo.
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