sexta-feira, 15 de outubro de 2010

16 de outubro de 2010

O dia hoje, como outros e diferente dos mesmos, pareceu flutuar. A falta da obrigação diária e um sábado ocioso pela frente pareceram o melhor. Ferido, pensei mais uma vez. Tudo muda e ao mesmo tempo sinto como se tudo estivesse como era antes. Eu mudei. Talvez só eu tenha mudado e, por isso, enxergado tudo de outro jeito. O tempo passa. Eu passo. Eu mudo. Tudo.

[27 dias]

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

13 de outubro de 2010 - 1 mês

O que parece é que me acostumei sem ele. Mas quando sorrio pela independência, bate uma saudade inexplicável. Dor de cabeça. Dor no estômago. Ansiedade. Não quero partir, mas quero te ter por perto. Que fazer? Fechar os olhos, lembrar de teus abraços e viver os dias, os últimos. Estou aqui. Estou lá.

[30 dias]

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

08 de outubro de 2010

Indiferente, acordei atrasada. Vesti uma roupa qualquer, passei uma escova no cabelo, uma maquiagem básica, joguei caderno, livros, chaves, dinheiro dentro da bolsa, resolvi amarrar os cadarços no elevador. Meu celular com a bateria fraca apitou até me fazer desliga-lo até o fim do dia, quando cheguei a casa, comi um bife amassado com batatas e mate e novamente, saí. Dei aula para uma turma de um homem só. Escorreguei na profissão mais altruísta e sonhadora que existe: o magistério. Ser mestre requer humildade. Talvez eu não tenha. Dei entrevistas para jornais, conversei com estranhos, vi televisão, cochilei por cinco minutos e sonhei com ele. O violão aqui do lado me chama, quer falar um pouco. Mas não. Meus dedos hoje querem descanso, meus olhos querem escuridão. Meu mundo está de volta e eu mal o percebo.

[35 dias]

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

06 de outubro de 2010

O dia hoje passou corrido. Me atrasei para compromissos, mas não perceberam. Minto. Alguém notou. Sorri para desconhecidos e conversei com os mesmos sobre assuntos que só interessavam à eles, tentei ser simpática, ouvir às vezes pode fazer bem a alguém, mesmo que te dê uma dor de cabeça repentina e passageira.
Quando entrei no elevador e encontrei a vizinha do 17° e a mesma me pediu ajuda com as compras (sacolas levíssimas, na verdade), não pestanejei. Segurei as sacolas quase vazias enquanto a mesma conversava sobre sua neta advogada. O dia passou apressado. Quando dei por mim, estava aqui, sentada em uma cadeira já gasta, falando de um dia que nem terminou, dizendo besteiras de um outubro recém nascido.

[37 dias]

sábado, 2 de outubro de 2010

02 de outubro de 2010

Sim, hoje é sábado. A sexta mereceu palavras, breves porém. Se no meu peito uma escuridão cegava o que nem enxergava, o mundo abriu caminhos. Vi que tenho luz. Talvez não uma luz própria, mas um merecimento por aquilo que um dia fiz, que um dia senti e sinto. Tenho a sensação de que deixo as coisas para trás, como um personagem que há tempos escrevi e julguei. Deixo coisas mal resolvidas, resolverei em breve. Relevarei o que me aflige com a certeza de que sempre temos uma nova chance. O bom da vida é que, estando vivo, temos chances, temos a estrutura de um corpo e a eternidade de uma alma para sofrer, tropeçar, levantar, tentar. Recomeço.

[41 dias]

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

29 de setembro de 2010

Hoje acordei com a vontade de subir o Everest e ler A montanha mágica. Mas cruzei esquinas vazias e terminei um capítulo do livro de Eco. Senti a vontade do vento em me levar pra um lugar mais próximo ao mar, mas fingi que não era comigo. Continuei na mesma calçada, mirando a frente onde nada encontrava e passando por homens que olhavam o que talvez você sinta saudade de olhar. Avistei a vida a ser vivida ali tão perto, dias, digo dias e nada mais. Alívio ou suplício, desespero ou recompensa, estou num caminho necessário a se percorrer. Se certo ou errado, já não sei. Creio no poder das coisas e isso me basta.

[44 dias]