- Analice Ról
Sinto o peso em minhas costas
Meus ombros estão dormentes
Meus passos pesados assustam
Os vizinhos de baixo
E tudo isso é a minha boca
Que deixou de falar teu nome
Que passou a te chamar de "aquele"
E agora fala nomes de outros, de tantos
Meu desassossego está no livro que li
Pra te esquecer. E hoje leio e lembro
que li para te apagar de mim.
Aqui está minha palavra em solidão
Meu dizer em silêncio
Meus ouvidos surdos a despertar de novo
Não sou mais tua, não és mais meu
Vivo como o texto que escrevi ante-ontem
E hoje permanece inacabado.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
Negra Alma
- Analice Ról
Você diz que estou errado
Por julgar certo tudo o que faço
E chorar meus dias, contados
Mesmo que seja por amor
Cá estou de pernas para o ar
Com a casa vazia
Com os filhos criados
Não, não quero voltar
Quero estar onde estou
E rimar, e remar, não reinar
Ah! Eu não quero, eu não quero continuar
A viver essa vida de escravo
Porque negra mesmo é a nossa alma
Você diz que estou errado
Por julgar certo tudo o que faço
E chorar meus dias, contados
Mesmo que seja por amor
Cá estou de pernas para o ar
Com a casa vazia
Com os filhos criados
Não, não quero voltar
Quero estar onde estou
E rimar, e remar, não reinar
Ah! Eu não quero, eu não quero continuar
A viver essa vida de escravo
Porque negra mesmo é a nossa alma
domingo, 18 de dezembro de 2011
Que nada mude
- Analice Ról
Não quero que nada mude
E, caso mude,
Que destrua os pensamentos, os momentos
Os carinhos
Não quero o sofrimento de lembrar você
De cair em seus braços em sonhos
E acordar com assobios de passarinhos
Que mal percebo
Não quero mudanças.
Não quero que me trate como qualquer
E me dê na cara
Não quero que mude, pois se melhorar
Estraga
Mas as mudanças batem à porta
Agarram nossos tornozelos nas esquinas vazias
Perseguem nossos passos
Estragam nossos planos.
Não quero que nada mude
E, caso mude,
Que destrua os pensamentos, os momentos
Os carinhos
Não quero o sofrimento de lembrar você
De cair em seus braços em sonhos
E acordar com assobios de passarinhos
Que mal percebo
Não quero mudanças.
Não quero que me trate como qualquer
E me dê na cara
Não quero que mude, pois se melhorar
Estraga
Mas as mudanças batem à porta
Agarram nossos tornozelos nas esquinas vazias
Perseguem nossos passos
Estragam nossos planos.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
No mundo
- Analice Ról
No espelho já não me vejo
E num retrato
- 3x4
Estou mais só que a solidão
Direciono o meu corpo
no
mundo
Direciono o meu corpo
nu
Ninguém pode nos castigar
Se os padrões já não governam
E se sinto algo estranho
a sair de mim
É o meu sangue de menina:
meu líquido germinante que,
aos poucos, se desperdiça.
No espelho já não me vejo
E num retrato
- 3x4
Estou mais só que a solidão
Direciono o meu corpo
no
mundo
Direciono o meu corpo
nu
Ninguém pode nos castigar
Se os padrões já não governam
E se sinto algo estranho
a sair de mim
É o meu sangue de menina:
meu líquido germinante que,
aos poucos, se desperdiça.
domingo, 13 de novembro de 2011
Cidade
- Analice Ról
Se eu não tivesse medo do vento
Se eu tivesse te encontrado a tempo
Uniria ao meu pensamento, seu gesto, seu rosto
E nada mais
Se eu tivesse falado em silêncio
O amor que era vivo e imenso
Uniria ao meu sentimento, teu calor
Mas calado, ele é zero elevado a nenhuma potência
Se eu tivesse corrigido os erros
Ou pecado menos ou errado mais
Saberia que o maior dos tormentos
É amar, amar, amar aquele que some
pelas fumaças das fábricas da cidade
Se eu não tivesse medo do vento
Se eu tivesse te encontrado a tempo
Uniria ao meu pensamento, seu gesto, seu rosto
E nada mais
Se eu tivesse falado em silêncio
O amor que era vivo e imenso
Uniria ao meu sentimento, teu calor
Mas calado, ele é zero elevado a nenhuma potência
Se eu tivesse corrigido os erros
Ou pecado menos ou errado mais
Saberia que o maior dos tormentos
É amar, amar, amar aquele que some
pelas fumaças das fábricas da cidade
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Teus minutos
- Analice Ról
É nos teus braços
Que ocorre o encontro entre mim e eu mesma
É ali, aquecida e na tranquilidade da noite
Que me guardo por dentro e vejo o que me resta
Teus minutos, meus segundos, nossas horas
E o peito dispara por não poder parar
E ele sentindo sem tino, sem jeito
Feito louco sem camisa de força
Há carne, osso, sangue. Há vida
O ar que respiro é desperdício
Pois perco-o ao ver teus olhos, a lembrar tua face
E a mão que me salva
Sinto presente as asas que não tenho
E caio de minha janela sem morrer...
É nos teus braços
Que ocorre o encontro entre mim e eu mesma
É ali, aquecida e na tranquilidade da noite
Que me guardo por dentro e vejo o que me resta
Teus minutos, meus segundos, nossas horas
E o peito dispara por não poder parar
E ele sentindo sem tino, sem jeito
Feito louco sem camisa de força
Há carne, osso, sangue. Há vida
O ar que respiro é desperdício
Pois perco-o ao ver teus olhos, a lembrar tua face
E a mão que me salva
Sinto presente as asas que não tenho
E caio de minha janela sem morrer...
domingo, 30 de outubro de 2011
Para o que gosta de cavalos
- Analice Ról
Se em teus olhos posso navegar sem rumo
Esverdeados e enveredados no futuro estão
Encontro o presente, pois este é certo
E dou-te um lembrete ao ver meu peito aberto
Se com você posso passar meus dias, viver a lida
Morrer aos poucos, me diga o que mais
posso querer da vida se não meu coração junto ao teu
E tua palma em meu rosto?
Posso dançar qual bailarina perdida a rodar o mundo
Na quadrilha inocente ou num cabaré de classe
Pois sei que é você que me penetra ao fundo
E, de noite, ao dormir ao vento encontrar a criança
que existe em nós a brincar e rodopiar
sem medo do tempo, por debaixo dos lençóis.
Se em teus olhos posso navegar sem rumo
Esverdeados e enveredados no futuro estão
Encontro o presente, pois este é certo
E dou-te um lembrete ao ver meu peito aberto
Se com você posso passar meus dias, viver a lida
Morrer aos poucos, me diga o que mais
posso querer da vida se não meu coração junto ao teu
E tua palma em meu rosto?
Posso dançar qual bailarina perdida a rodar o mundo
Na quadrilha inocente ou num cabaré de classe
Pois sei que é você que me penetra ao fundo
E, de noite, ao dormir ao vento encontrar a criança
que existe em nós a brincar e rodopiar
sem medo do tempo, por debaixo dos lençóis.
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