O meu medo não é deixar de contribuir na caixinha de orgulhos, mas sim acha-la supérflua ou mesmo, pura matéria. Depois dos orgulhos terem virado pura abstração, a caixinha de orgulhos ficou na memória, na imaginação, pra falar a verdade, ela nunca existiu de fato dentro do armário do papai. Antes, qualquer poema escrito por mim, qualquer desenho feio e rabiscado, lá estava na caixinha, mas depois de crescida, os orgulhos passam a ser abstratos, não dá pra guardar um gesto dentro dela ou uma aprovação no vestibular. O máximo seria guardar o papel da inscrição das disciplinas, mas não a felicidade que se sente. A caixinha de orgulhos, de fato, não existe. Por mais que eu procure nas coisas dele uma caixa pequena com meu nome escrito, não vou achar. Era pura enganação, mentiras daquelas que alimentam nossa infância e nos fazem produzir sempre orgulhos achando que eles estarão, um dia, na caixinha de orgulhos do papai.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
A sensação do mais saber
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Pois bem, agora com 19 anos, mentiria caso dissesse que penso de modo diferente. Não se muda de um dia pro outro ou, no meu caso, de um ano pro outro. Diante de tantas pessoas me perguntando: E aí, como está se sentindo com mais um ano de vida? Continuo sendo a mesma, apesar de achar muito mais punk mudar de repente. às vezes, acho que nunca vou crescer e em outras horas, penso que nunca fui criança. Brincadeirinhas demais sempre me enjoaram e seriedade em demasia sempre me provacaram vômitos. Sinceramente, não sei quem sou, quem quero ser, quem fui e em quem vou me tornar daqui por diante. Estou satisfeita com meu jeito, não faço mal a ninguém, tenho bons amigos, uma família confusa (quem não tem?) que eu amo, um pijama amarelo, livros de Dostoievski, discos do Chico, lembranças. Do que mais preciso? Sim, saúde, todos precisam de saúde. É verdade. Todos precisam de um bom plano de saúde, prato de comida farto, rica poupança no banco e a sabedoria daquilo que não se esquece, como o que é Bretton Woods.
A prova de domingo está me deixando nervosa. Apesar de saber que se eu não passar (o mais natural de acontecer), nada vai acontecer de ruim. Tenho a vida pela frente e...blá blá blá. Mas sinto raiva de mim mesma quando perco algo que eu poderia ter ganhado. Dane-se! Tem certas coisas que é ver pra crer, estudar pra conseguir ou, se esforçar pra concorrer.
Estou adorando a faculdade. Sinto orgulho ao dizer: Faço Letras na UFF! Apesar dos mil olhares que me olham com quem diz: Mas você vai ser professora? Claro, pô! Mas, que seja.
Ter 19 anos não significa saber tudo. Muito menos o que se quer.
=)
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
A sensação do mais perder
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Peguei uma gripe daquelas que te derruba sem piedade. Daquele tipo que você leva a cama pra todos os lugares que você vai, toma um remédio, tenta engolir um comprimido de significativos centímetros de comprimento, dorme um pouco, recebe um colinho da mamãe, um telefone atencioso da vovó, uns recados dos amigos, uma preocupação aqui outra acolá. Daquele tipo que qualquer ventania estraga a efêmera melhora causada pelo comprimido de centímetros. Ainda mais aquele vento de beira de praia, aquele vento de centro de cidade às dez horas da noite. Pra completar, ainda gruda no coração e, principalmente, na mente, aquela sensação de estar perdido. Faltar tantas aulas, tantas reuniões entre amigos, tantos tantos, dá uma sensação de ter perdido momentos, mas é isso mesmo, um pouco de perda de vida. O sentimento de uma pessoa que acabou de sair do coma, coloca os pés no chão e vê que o mundo não parou...e você torna-se, meramente, mais um perdido. Aquela ralação toda pra recuperar o que se perdeu, quebra de cabeça pra pegar a matéria dada, arrumar um grupo pro trabalho tal, apesar de todos os grupos já estarem formadíssimos. Sensação de perdição, dor de cabeça e gripe.
Pra completar, meu aniversário é dia 09 agora, domingo. Disposição em grau zero para fazer qualquer lanchinho entre amigos ou jantar em família, apesar de amar muito meus amigos e parentes. Acho que é a gripe mesmo, o resfriado que congela nossas mentes, nosso corpo, nossos pés, mas derrete nossos corações...
Vamos esperar..."Tem certas coisas que eu não sei dizer..."
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Beijo grande! =)
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Que seja! =)
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Dia 27 de agosto de 2007: Primeiro dia na UFF. Nada de aula, nada de trote, só Caverna do Bin!
Gostei das pessoas, estou animada pra começar as aulas. Mas acho que só semana que vem mesmo. Que seja!
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Estou resfriada, com dor de cabeça, cansaço, desânimo...
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Estou feliz, finalmente, vivo num momento completamente inacreditável. Aprendi que tudo tem seu tempo e o meu chegou. Pode durar pouco, mas que seja, o importante é que durou.
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Aniversário de vovó hoje. Amo demais essa velhinha que faz com que eu me sinta uma pessoa amada, feliz e realizada. Tudo de bom pra ela. Vó, daqui a pouco tô aí!
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"Por favor, me conduza ao teu mundo"
domingo, 26 de agosto de 2007
Quanto o calor do fogo
O melhor de tudo é criar raízes aéreas, raízes de fumaça. Ao mesmo tempo em que você se apodera do seu lugar, do seu chão, também encontra no céu o poder de se libertar no ar.
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Ontem fui pra Copacabana. Encontrei amigos queridos, conheci novas pessoas, conheci the one I love... Lindos!!!
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"Vejo os outros
Todos estão tentando
E é tão certo quanto o calor do fogo
Eu já não tenho escolha
E participo do seu jogo..."
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sábado, 25 de agosto de 2007
tem certas coisas que eu nao sei dizer
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Dia desses andei pensando. Certas vezes, tenho tanto medo da reação de algumas pessoas que acabo nem tentando o que quero. Cansa ser certinha e responsável o tempo inteiro. Às vezes, as pessoas negam certas coisas a nós, simplesmente, porque sabem que não vamos reclamar da negação. Quantas coisas deixei pra trás por não ter insistido mais ou por ter me convencido de que o dito pelo outro era mais certo do que o meu dito? Sem saber do que digo é difícil entender, mas quem já passou por uma situação desse tipo, entende. É como se te obrigassem a fazer uma coisa que você não quer. Eu, com 18 anos quase 19, sei exatamente o que quero. Sei que não sou madura como meu pai e, muito menos, amadurecida a ponto de fazer as escolhas certas. Mas qual a graça da vida sem umas pedrinhas no caminho, uns tropeços depois das oportunidades, qual a graça? Imagino que nem todas as pessoas pensem desse jeito, afinal, caso pensassem, eu não estaria tão "revoltada" a ponto de vir aqui desabafar. A situação é que eu queria fazer tudo o que eu quero, colocar uma mochila nas costas, pegar um ônibus pra Copacabana e encontrar com as pessoas que eu quero encontrar, abrir os braços pras oportunidades do dia, não da vida...
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quarta-feira, 15 de agosto de 2007
na estante
muitos anos sem Drummond...
Sou mulher. Mulher é tudo chata. Não sou mulher.
Sou mulher. Mulher é tudo doida. Não sou mulher.
Sou mulher. Mulher viaja, às vezes. Sou mulher.
(Tom Siqueira - Não sou mulher)
Sou mulher. Mulher é tudo chata. Não sou mulher.
Sou mulher. Mulher é tudo doida. Não sou mulher.
Sou mulher. Mulher viaja, às vezes. Sou mulher.
(Tom Siqueira - Não sou mulher)
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