terça-feira, 25 de setembro de 2007


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Inveja do Camelo quando fez:



"é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê"

(Além do que se vê - Los Hermanos)


Esconderijo – Analice Alves

Meu coração
Se fazendo de moradia
Lá ainda existe vida?
Ausência, abismo, dor
Risco corrido
Rabisco decorado
E apagado na memória

Quantas vezes
Encontrei o amor
Esquecido num canto
Numa prateleira
Escondido entre os livros

De quando em quando
Passava uma flanela no amor
Um pouco de verniz
Disfarçando a cicatriz

Depois esquecia...
No meio da tarde
Escutava seu gemido de dor
Estava ocupada
Cortando as unhas dos pés
Ou batendo uma vitamina
No liquidificador

O amor foi envelhecendo
Pouco usado
Desperdiçado
Subtraído

Depois de tanto espanto
Tanto pranto
Tanto tanto
Dei-me conta de que o amor
Merecia muito mais
Do que isso...

06/05/07

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Destino para lugar algum

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A claridade do dia não oprime a tristeza da vida. Quem dera a escuridão fosse apenas um quarto de criança no breu com palhacinhos sorrindo nas prateleiras. Quem dera as dores do amor fossem curadas com sonridor. Queria ser um gato com sete vidas ou um desenho de vídeo game com milhares dela.
23/09/07

Ontem, voltando da Bienal, uma imagem chamou minha atenção não porque era diferente, pelo contrário, muito comum: um menino fazendo malabarismo no trânsito da Barra. Era um domingo à noite. Rapidamente, veio à mente as possibilidades daquele menino: ele poderia estar em casa, vendo televisão, lanchando, voltando de viagem e ainda, arrumando os livros na mochila pra acordar cedo hoje e ir à escola. Nunca concordei em dar dinheiro pra criança visto que logo aparece um adulto (antes escondido) e toma as míseras moedas das mãos do menor. Mas nesse caso, se a vida dele é ruim sem a moeda, seria pior sem esta. Demos-lhe um real.
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domingo, 23 de setembro de 2007

Papai, não me empreste o carro!


Um dia sem carro...
Tirem suas bicicletas de casa!

sábado, 22 de setembro de 2007

Parceria

Parceria minha com Tom Siqueira, música caaaalma...
Foi dessa música que tirei o nome do blog.

Outros Ares - Analice Alves e Tom Siqueira

Meu peito aqui dentro bate calmo
Lá fora, o jeito é viver de espanto
Tanto pranto, tanto sonho
Tanta canto calado em vão

Saiba, meu coração anda mal
E o doutor mandou avisar
Que morrer de amor
É morte natural

Talvez seja melhor
Procurar outros mares
Já pensei até em
Respirar outros ares
Procurar em outros olhares
Um amor que é só seu

Por favor, me conduza ao teu mundo
Por favor, me faça esquecer de tudo
O que eu já vi
O que eu vivi
Antes de você

Meu amor, me mate de amor e de medo
Por favor, me mande cartas
Um torpedo
Um poema, de repente
Um e-mail
Uma corrente

Por favor, me mate de amor e de medo
Meu amor, me faça de capacho e de brinquedo
Me mate de susto, de repente
Me ligue no meio do expediente
Por favor, me conduza ao teu céu

11/07/07

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Memória

Poema escrito à pedido da professora Lygia na aula de Língua Portuguesa.

Memória - Analice Alves

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O riso da criança
A piada do avô
A janela escancarada
Teu sorriso na memória
O medo das ruas escuras
Minhas mãos nas tuas
A vida já vivida
Meus olhos perdidos nas rugas
A morte mal vinda
O último capítulo
Teu sorriso na memória
Meu fim
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quarta-feira, 19 de setembro de 2007

A sensação do menos querer

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O meu medo não é deixar de contribuir na caixinha de orgulhos, mas sim acha-la supérflua ou mesmo, pura matéria. Depois dos orgulhos terem virado pura abstração, a caixinha de orgulhos ficou na memória, na imaginação, pra falar a verdade, ela nunca existiu de fato dentro do armário do papai. Antes, qualquer poema escrito por mim, qualquer desenho feio e rabiscado, lá estava na caixinha, mas depois de crescida, os orgulhos passam a ser abstratos, não dá pra guardar um gesto dentro dela ou uma aprovação no vestibular. O máximo seria guardar o papel da inscrição das disciplinas, mas não a felicidade que se sente. A caixinha de orgulhos, de fato, não existe. Por mais que eu procure nas coisas dele uma caixa pequena com meu nome escrito, não vou achar. Era pura enganação, mentiras daquelas que alimentam nossa infância e nos fazem produzir sempre orgulhos achando que eles estarão, um dia, na caixinha de orgulhos do papai.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

A sensação do mais saber

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Pois bem, agora com 19 anos, mentiria caso dissesse que penso de modo diferente. Não se muda de um dia pro outro ou, no meu caso, de um ano pro outro. Diante de tantas pessoas me perguntando: E aí, como está se sentindo com mais um ano de vida? Continuo sendo a mesma, apesar de achar muito mais punk mudar de repente. às vezes, acho que nunca vou crescer e em outras horas, penso que nunca fui criança. Brincadeirinhas demais sempre me enjoaram e seriedade em demasia sempre me provacaram vômitos. Sinceramente, não sei quem sou, quem quero ser, quem fui e em quem vou me tornar daqui por diante. Estou satisfeita com meu jeito, não faço mal a ninguém, tenho bons amigos, uma família confusa (quem não tem?) que eu amo, um pijama amarelo, livros de Dostoievski, discos do Chico, lembranças. Do que mais preciso? Sim, saúde, todos precisam de saúde. É verdade. Todos precisam de um bom plano de saúde, prato de comida farto, rica poupança no banco e a sabedoria daquilo que não se esquece, como o que é Bretton Woods.
A prova de domingo está me deixando nervosa. Apesar de saber que se eu não passar (o mais natural de acontecer), nada vai acontecer de ruim. Tenho a vida pela frente e...blá blá blá. Mas sinto raiva de mim mesma quando perco algo que eu poderia ter ganhado. Dane-se! Tem certas coisas que é ver pra crer, estudar pra conseguir ou, se esforçar pra concorrer.
Estou adorando a faculdade. Sinto orgulho ao dizer: Faço Letras na UFF! Apesar dos mil olhares que me olham com quem diz: Mas você vai ser professora? Claro, pô! Mas, que seja.
Ter 19 anos não significa saber tudo. Muito menos o que se quer.
=)