terça-feira, 2 de outubro de 2007

O velho sem joelhos





- achei essa música na casa de Rubem (Alves, grande mestre). Chico Buarque não é humano, não pode ser...


O VELHO
Chico Buarque
1968


O velho sem conselhos
De joelhos
De partida
Carrega com certeza
Todo o peso
Da sua vida
Então eu lhe pergunto pelo amor
A vida inteira, diz que se guardou
Do carnaval, da brincadeira
Que ele não brincou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
Só a caminhada
Longa, pra nenhum lugar
O velho de partida
Deixa a vida
Sem saudades
Sem dívidas, sem saldo
Sem rival
Ou amizade
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me diz que sempre se escondeu
Não se comprometeu
Nem nunca se entregou
E diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Nada
E eu vejo a triste estrada
Onde um dia eu vou parar
O velho vai-se agora
Vai-se embora
Sem bagagem
Não se sabe pra que veio
Foi passeio
Foi Passagem
Então eu lhe pergunto pelo amor
Ele me é franco
Mostra um verso manco
De um caderno em branco
Que já se fechou
Me diga agora
O que é que eu digo ao povo
O que é que tem de novo
Pra deixar
Não
Foi tudo escrito em vão
E eu lhe peço perdão
Mas não vou lastimar

domingo, 30 de setembro de 2007

Ainda amamos


Poesia antiga e necessária.

AINDA – Analice Alves

Minha alma ardente
Não mente pra minha mente
Quem sabe isso
Seja indício de amor

Meu corpo
Tão morno
Torto, frágil
Ainda aquece
E contém vapor

Esse sentimento
Tão forte
Que me torna
Tão frágil
E corajosa
Ao mesmo tempo

Essa ânsia
De te encontrar
Esteja você
Com ou sem ela
Faz-me amar mais
O mundo
E a querer mais do que
Tudo

Seja no sol, na chuva
Encontro em mim
A vontade de te ter
Permanece em mim
O amor que pensei
Ter perdido

Penso, anoiteço, escrevo
Escrevo, escrevo, escrevo
E na realidade, mal sei o que faço
São poemas...Poemas apenas
Letras soltas, mastigadas
Palavras tortas
Que já nem sei o que soam.

No calor, no torpor, no inverno
Talvez em dezembro
Fora de hora
Talvez um outono
Que embrulhe meu sonho
Talvez o sorriso
Que já não sei sorrir
Talvez na perda
No escuro
Do outro lado
Do muro
Encontre o motivo
De tudo

Não sei mais o que sou
Não sei mais o que fui
Não sei mais o que posso ser
Apenas sei que meu peito chora
E apesar das dores e desenganos
Ainda sei que ainda te amo.

03/01/06

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

A Metalinguagem de cada dia


Thank You for Saying Thank You – Charles Benstein

This is a totally/accessible poem./There is nothing/in this poem/that is in any/way difficult/to understand/.All the words/are simple &/to the point./There are no new/concepts, no/theories, no/ideas to confuse/you. This poem/has no intellectual/pretensions. It is/purely emotional./It fully expresses/the feelings of the/author: my feelings/,the person speaking/to you now./It is all about/communication./Heart to heart./This poem appreciates/& values you as/a reader. It/celebrates the/triumph of the/human imagination/amidst pitfalls &/calamities. This poem/has 90 lines,/269 words, and/more syllables than/I have time to/count. Each line,/word, & syllable/have been chosen/to convey only the/intended meaning/& nothing more./This poem abjures/obscurity & enigma./There is nothing/hidden. A hundred/readers would each/read the poem/in an identical/manner & derive/the same message/from it. This/poem, like all/good poems, tells/a story in a direct/style that never/leaves the reader/guessing. While/at times expressing/bitterness, anger,/resentment, xenophobia,/& hints of racism, its/ultimate mood is/affirmative. It finds/joy even in/those spiteful moments/of life that/it shares with/you. This poem/represents the hope/for a poetry/that doesn't turn/its back on/the audience, that/doesn't think it's/better than the reader,/that is committed/to poetry as a/popular form, like kite/flying and fly/fishing. This poem/belongs to no/school, has no/dogma. It follows/no fashion. It/says just what/it says. It's/real.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Somos corações

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Na aula de Teoria da Literatura, o professor chamou a atenção para a necessidade de um herói coletivo como um dos quesitos para uma parábola ou fábula ou uma história qualquer ser aceita por uma sociedade. Pensei tanto no herói do Hoje e percebi que não o temos. Lula para os brasileiros é menos que um presidente e muito menos do que um ser do fundo do mar. É aquele que usou a esperança do povo como vaidade. É como aquela mulher que compra uma bolsa com o dinheiro do marido. Ela compra não porque gostou da bolsa, mas porque o dinheiro era do marido. Não somos obrigados a entender o mundo em que vivemos e muito menos a concordar com todas as regras, normas ou leis. Abrir mão da concordância parece puro teatro, pura ideologia. Por que não quebrar as regras e lutar por um mundo melhor pra nós? Estamos precisando de um herói coletivo, mas o mundo atual prefere os vilões. Como o Olavo é uma graça, a Bebel é tão engraçada, o Jefferson abriu os olhos dos brasileiros. Pois é, quem entende. Mas como eu já disse, não somos obrigados a entender o mundo, mas somos obrigatoriamente obrigados a saber viver nele, a sentir o que ele nos pede como uma intuição ou puro sentido humano. Como disse Humberto Gessinger: "não somos cardiologistas, somos corações".
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Deixa a menina sambar em paz


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Tenho vergonha dessa poesia. Até porque, não tem muito a ver comigo. Espero que acreditem nisso.




Deixa disso - Analice Alves

Ô Menino, deixa disso!
Pare com esse vício
De me magoar

Ô Menino, não vês
Que é um malefício
Pro meu pobre heart

Ai, meu Santo Cristo
Ilumine o coração desse menino
Que só sabe me machucar, me doer
Vê se acabe com esse perigo
De me fazer chorar
Só de ele me ver

Ai, meu Santo Daime
Dá-me paciência pra aturar
Tamanho desespero
Tamanho penar cravado em mim

E o menino que acabou
Com my heart
Que esqueceu my voice
E esnobou my car
Hoje está comendo
Um big mac
Fazendo o big brother
Virando um pop star
E esquecendo do meu Kiss.

06/05/07

terça-feira, 25 de setembro de 2007


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Inveja do Camelo quando fez:



"é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê"

(Além do que se vê - Los Hermanos)


Esconderijo – Analice Alves

Meu coração
Se fazendo de moradia
Lá ainda existe vida?
Ausência, abismo, dor
Risco corrido
Rabisco decorado
E apagado na memória

Quantas vezes
Encontrei o amor
Esquecido num canto
Numa prateleira
Escondido entre os livros

De quando em quando
Passava uma flanela no amor
Um pouco de verniz
Disfarçando a cicatriz

Depois esquecia...
No meio da tarde
Escutava seu gemido de dor
Estava ocupada
Cortando as unhas dos pés
Ou batendo uma vitamina
No liquidificador

O amor foi envelhecendo
Pouco usado
Desperdiçado
Subtraído

Depois de tanto espanto
Tanto pranto
Tanto tanto
Dei-me conta de que o amor
Merecia muito mais
Do que isso...

06/05/07

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Destino para lugar algum

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A claridade do dia não oprime a tristeza da vida. Quem dera a escuridão fosse apenas um quarto de criança no breu com palhacinhos sorrindo nas prateleiras. Quem dera as dores do amor fossem curadas com sonridor. Queria ser um gato com sete vidas ou um desenho de vídeo game com milhares dela.
23/09/07

Ontem, voltando da Bienal, uma imagem chamou minha atenção não porque era diferente, pelo contrário, muito comum: um menino fazendo malabarismo no trânsito da Barra. Era um domingo à noite. Rapidamente, veio à mente as possibilidades daquele menino: ele poderia estar em casa, vendo televisão, lanchando, voltando de viagem e ainda, arrumando os livros na mochila pra acordar cedo hoje e ir à escola. Nunca concordei em dar dinheiro pra criança visto que logo aparece um adulto (antes escondido) e toma as míseras moedas das mãos do menor. Mas nesse caso, se a vida dele é ruim sem a moeda, seria pior sem esta. Demos-lhe um real.
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