- Analice Alves
Eu não sei
O que quero da vida
Os meus planos
São tão banais
Mas quando eu olho
Para o futuro
Eu só vejo você
Minha estrela guia
Eu só quero o teu amor
Seja o causador
Da minha paz...
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
estava estando
Esse livro é pra te dar prazer nas horas de angústia, te remediar nos momentos difíceis, te aquecer com suas histórias calorosas e te refrescar com as lágrimas que, certamente, cairá de teus olhos ao ler certas partes. Esse livro é pra você acreditar nos sentimentos verdadeiros que qualquer pessoa é capaz de sentir, pra imaginar as tantas coisas legais que ainda tem pela frente. Esse livro é para viver um grande amor.
Eu - Analice Alves
sou apenas aquilo
que termina sem acabar
sou um complexo paradoxo
um ditado popular
sou um verbo transitivo
sem objeto, sem sujeito
sou um coração quebrado, partido
sujo dentro de um boeiro
eu desejo mais a vida
quando ela sorri de volta
às vezes me olha com cara sofrida
como quem quer ir embora
eu escrevo sem enredo
sou mudança de planos
no mundo dos humanos
é rei quem tem dinheiro
minha inteligência é líquida
e escorre entre as páginas
de um adendo destroçado
minha mão destra inveja a esquerda
por só escovar meus dentes
quando meu ventre está vazio
tenho prisão cerebral
meu nariz fica roxo
meus lábios secam
e eu só tenho uma saída:
chegar ao final.
(19/11/2008)
Eu - Analice Alves
sou apenas aquilo
que termina sem acabar
sou um complexo paradoxo
um ditado popular
sou um verbo transitivo
sem objeto, sem sujeito
sou um coração quebrado, partido
sujo dentro de um boeiro
eu desejo mais a vida
quando ela sorri de volta
às vezes me olha com cara sofrida
como quem quer ir embora
eu escrevo sem enredo
sou mudança de planos
no mundo dos humanos
é rei quem tem dinheiro
minha inteligência é líquida
e escorre entre as páginas
de um adendo destroçado
minha mão destra inveja a esquerda
por só escovar meus dentes
quando meu ventre está vazio
tenho prisão cerebral
meu nariz fica roxo
meus lábios secam
e eu só tenho uma saída:
chegar ao final.
(19/11/2008)
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
domingo, 21 de dezembro de 2008
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Samba faceiro
- Analice Alves
Se você quiser
Posso te dar céu e mar
Mas garanto, meu menino
Que o mundo repartido
É mais bonito
Chega desse queira
Ou não queira
Acabe com a minha tristeza
Bata aqui na porta
E fique pra sempre
No teu lugar
Eu sei que você
Merece mais do que a mim
Desculpe, meu bem
Tenho pouco a te dar
No momento eu tô sem emprego
Não tenho casa, carro e dinheiro
Só tenho meus seios e um peito
Pra te aconchegar
Teu sorriso é um alívio imediato
Pra tudo que existe de chato
Pro estresse rotineiro
Pra caras de enterro
Pra um bolso sem dinheiro
Pra um rosto sem sorriso
Você entra dentro de mim
Me ama e me faz mulher
Vcê me machuca, me jura
Me vira a cabeça
Faz bem o que quer
Você fala mal de mim
Me xinga, me faz tua escrava
Me escracha e me esculaxa
Pra depois se arrepender
Bem vês que estou a teus pés
Querendo só teu aconchego
Mas você me toca o ventre
Me venera, mas mente
E eu fico com medo
Se você quiser
Posso te dar céu e mar
Mas garanto, meu menino
Que o mundo repartido
É mais bonito
Chega desse queira
Ou não queira
Acabe com a minha tristeza
Bata aqui na porta
E fique pra sempre
No teu lugar
Eu sei que você
Merece mais do que a mim
Desculpe, meu bem
Tenho pouco a te dar
No momento eu tô sem emprego
Não tenho casa, carro e dinheiro
Só tenho meus seios e um peito
Pra te aconchegar
Teu sorriso é um alívio imediato
Pra tudo que existe de chato
Pro estresse rotineiro
Pra caras de enterro
Pra um bolso sem dinheiro
Pra um rosto sem sorriso
Você entra dentro de mim
Me ama e me faz mulher
Vcê me machuca, me jura
Me vira a cabeça
Faz bem o que quer
Você fala mal de mim
Me xinga, me faz tua escrava
Me escracha e me esculaxa
Pra depois se arrepender
Bem vês que estou a teus pés
Querendo só teu aconchego
Mas você me toca o ventre
Me venera, mas mente
E eu fico com medo
sábado, 29 de novembro de 2008
Nunca é tarde
Sei que vivo neste papel selvagem de caçar verdades só existentes pra mim. O que é a realidade? Acho que, como disseram, a vida é realmente uma teia de ficções. De fato, não existimos, somos reais apenas através do olhar do outro. Sem observação não existimos. E esse papel de seguidor da felicidade ou de caçador de alegrias e verdades absolutas, nada mais é do que mais uma máscara. Máscara que cai de vez em quando. Alegoria de um carnaval ultrapassado, em que analfabetos e letrados dançam a mesma música. A realidade, se é que existe de fato, é essa: não existe diferença. Vivemos achando que somos diferentes dos outros e que um dia algo de especial vai acontecer conosco por sermos tão especiais, mas somos normais, somos comuns, somos todos iguais. O que nos faz diferente é a máscara que decidimos usar. Não dá pra acreditar no futuro dos humanos, porque de fato, não existimos. Somos todos personagens. (Analice Alves)
é uma música
.
Futuro do presente - Analice Alves
Você se olha no espelho
E não se reconhece mais
Entenda que o medo
Te faz mais capaz
Não é tão cedo
Pra perdoar quem se ama
Você olha pra mim
E não me vê
Só quer saber se estou afim
Se tenho amor
Se quero carinho
Eu sou de carne e osso
Mas virei um poço de solidão
Eu sou um ser desumano
E liquidifico o seu coração
Eu sou mulher de fibra
Dessa iguaria não vais mais ter
Alguém como eu, difícil encontrar
Pague pra ver
Na televisão eu me distraio
Com bobagens quase importantes
No rádio uma canção tão triste
Faz-me chorar Só por um instante
Deixe-me ver o que aconteceu
Alguém bateu aqui a minha porta
E eu não sei se é a tristeza
Ou se é você que está de volta
O vento tombou o meu porta-retrato
E o tempo se encarregou
De te esconder no meu passado
Dê-me o futuro de presente
E o passado, meu bem, deixe passar
E não se reconhece mais
Entenda que o medo
Te faz mais capaz
Não é tão cedo
Pra perdoar quem se ama
Você olha pra mim
E não me vê
Só quer saber se estou afim
Se tenho amor
Se quero carinho
Eu sou de carne e osso
Mas virei um poço de solidão
Eu sou um ser desumano
E liquidifico o seu coração
Eu sou mulher de fibra
Dessa iguaria não vais mais ter
Alguém como eu, difícil encontrar
Pague pra ver
Na televisão eu me distraio
Com bobagens quase importantes
No rádio uma canção tão triste
Faz-me chorar Só por um instante
Deixe-me ver o que aconteceu
Alguém bateu aqui a minha porta
E eu não sei se é a tristeza
Ou se é você que está de volta
O vento tombou o meu porta-retrato
E o tempo se encarregou
De te esconder no meu passado
Dê-me o futuro de presente
E o passado, meu bem, deixe passar
domingo, 23 de novembro de 2008
O corajoso
- Analice Alves
“Tento uma primeira hipótese de trabalho: o narrador pós-moderno é aquele que quer extrair a si da ação narrada, em atitude semelhante à de um repórter ou de um espectador. Ele narra a ação enquanto espetáculo a que assiste (literalmente ou não) da platéia, da arquibancada ou de uma poltrona na sala de estar ou na biblioteca; ele não narra enquanto atuante.”
.
Injustiça não foi bem o sentimento que me invadiu ao ver Rômulo deitado numa cama de hospital. Um jovem no leito de morte. Encostado à janela, observava aquele rapaz robusto, um jovenzinho parecido com o jovenzinho que há tempos eu fora. Cabelos alourados pelo sol, pele morena também de sol, barba por fazer. Ali, no hospital, a última coisa que faria era aparar a barba. Tinha certeza disso, pois era exatamente assim que pensava quando tinha aquela idade. Imaginei que se Rômulo realmente fosse eu, eu jamais estaria ali, encostado à janela, mesmo com olhos fundos e enrugados. Não chegaria nem aos trinta anos. Rômulo, deitado feito um idoso em última fase, deu-me pena. Rômulo era eu, era a juventude que eu tanto aproveitara e que a ele nada oferecida a não ser a morte como sorte, como produto dos erros. O rapaz não acordava e, quando sóbrio, só dava um risinho de lado, pelo canto da boca, sinalizando que estava vivo. Não parecia se importar com tamanha má sorte, não parecia desgostar do telefonema da morte, avisando pra se aprontar depressa. Lembrei de mim mesmo quando tinha a sua idade. Certa vez cortei a mão com o canivete de meu irmão mais velho e durante toda a minha juventude, tive orgulho de exibir a cicatriz. Talvez Rômulo estivesse nessa fase: a de curtir o corte. Mas o que me parecia era mesmo que não tinha medo de nada, nem da dama de vermelho. Rômulo exibia sua coragem através do tal risinho no canto dos lábios, através da entrega ao sono profundo, sem medo de não acordar de novo. Era como se, ao morrer, ele ganhasse uma autoridade que não tinha enquanto ser vivo. Era como se, morto, virasse um super homem das massas.
Rômulo, o corajoso, era o único enfermo jovem, o único ganhador das rifas semanais. Ganhava conjuntos de panelas, faqueiros, toalhas de mesa e dava tudo. Na verdade, ele nem tomava conhecimento dos prêmios. Sua mãe, uma jovem senhora de olhos azulados, pele morena e de baixa estatura, encarregava-se de distribuir os prêmios às senhoras do quarto vizinho. Rômulo, o corajoso, parecia um personagem de filme contemporâneo, desses que colocam um homem jovem e sofrido para que o público se humanize. Mas não era. Rômulo era real como uma pedra que rola com direção certa pelo asfalto. Assim como a chuva que antecede a primavera. Como queria que Rômulo fosse um personagem falante, embora não goste de sotaques juvenis. Porém, Rômulo era um ser humano desprovido de palavra. Não que não soubesse ou não tivesse mais forças para usar a língua, mas porque não tinha mais o que expressar. Se a morte estava vindo, tudo estava dito. Dito e feito. Rômulo, o corajoso, se foi antes que eu despertasse. Quando dei por mim, sua cama já estava vazia, ainda quente. Um rapaz com olhos avermelhados arrumava suas coisas numa bolsa grande, a enfermeira olhava pra mim com um olhar já esperávamos por isso. Tive raiva. Rômulo, o corajoso, morto, era como se a minha juventude tivesse partido. Tive revolta. Rômulo, o corajoso, era o jovem que eu fora e que, nesses tempos malucos, já não tinha mais sentido.Tudo me doía. Rômulo, o corajoso, era meu filho.
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