terça-feira, 17 de março de 2009

Poesia é complicação

"Poesia é complicação. É doença da linguagem. (...)" (Ruy Bello)

Por que?
(pensem nisso)


Reticentimentos - Analice Alves

quando leio um poema
e ele nada me diz
eu des-sinto
é uma morte pequena
porém pior do que morte matada
é suicídio poético

o poeta que escreve
encantamentos numa folha de papel
coitado! nao entende o seu poema
este já não é mais seu
nem meu
é de tudo e de todos

o poeta que escreve
abobrinhas ou caviar
é um poeta, certamente
mas mente como um ator
como Pessoa, como gente.

o poeta que acha
que entende tudo
não passa de farsante
não entende porra nenhuma
nem mesmo as sobras da sobra

o poeta que finge
ah, esse sim é grande
mas mesmo assim
não alcança a totalidade
de sua obra...


17/03/09

terça-feira, 10 de março de 2009

comida é pasto

1. Para que poetas em tempos de fome?

- A poesia sempre foi vista como algo secundário. A fome, a violência, a realidade social em que vivemos sempre foram muito mais importantes e herméticas do que um poema parnasiano. A pergunta acima tem mais de 200 anos e participa de nosso presente. Afinal, quando foi que não vivemos tempos de fome? Sempre esbarramos na mesma problemática. A Literatura sempre sobreviveu aos tempos (de fome), porque também existe a fome de cultura, a sede de informação, o tesão por livros e conhecimento. Poetas e poesias em tempos de realidade escancarada são válvulas de escape, são plataformas para o sonho. A poesia pode ser um mundo particular, porém a Literatura tem sua função acima de tudo, tem seu lugar no real e não apenas no imaginário, tem seu espaço na consciência social e nos punhos de um poeta revolucionário. Poetas são vistos como vagabundos ou menos importantes do que engenheiros, por exemplo. Cada um tem sua importância e, em tempos de fome, todos são influenciados pelo mesmo mal. O poeta, no entanto, é o capaz de praticar a paralaxe, de enxergar o problema em diferentes pontos de vista, de colocar o objeto de estudo (a fome, por exemplo) num ângulo onde todos possam entendê-lo com maior clareza.

Poema - Analice Alves

Olho para o futuro com louvor
É uma caixinha de bombom
E por mais que saibamos o sabor
Não sabemos se dentro dele
Haverá licor.

sábado, 7 de março de 2009

Meu iaiá, meu ioiô...

Poema em si - Analice Alves

Queremos encontrar a felicidade
Mas não calçamos os sapatos
Queremos a vitória
Mas estamos de chinelos


Museu I - Analice Alves

Sinto raiva de tudo isso
Te amar é muito mais que prejuízo
Gasto lenços, perco o juízo

Museu II - Analice Alves

Bebo a vida pelas beiradas
Vai que aparece uma mosca no copo!
Engolir jamais, quero mais ócio

Saudade fez samba - Analice Alves

Sei porque voce se foi
Sem nem me deixar bilhete ou carta
Agora quero que se exploda o teu coração
Meu samba não tem cordão.

Você é luz - Analice Alves

Você é meu sol
Minha lua, meu Rio
de Janeiro, meu enredo
Meu rascunho e minha obra
Você é meu amor
è meu suor, minha cura
e minha cólera

sábado, 28 de fevereiro de 2009

seguir é a nossa missão...

Tudo o que acontece hoje aconteceu um dia
Se esse mundo é o nosso pai o tempo é a magia
Que nos mostra a direção sem medo nem poesia
Viver é a nossa alegria, seguir é a nossa missão
E tudo se resume estar aqui um dia
Noutro dia não
(Almir Sater)


Música nova!

Identidade - Analice Alves

Sou de baixa renda
Mas quero respeito, sim senhor
Minha saia nao é de renda
Mas é bordada a linho

Eu sei fazer trico
Vendo bordado pra fora
Danço ao som de Zé Ketti
Cavaquinho e Cartola

Eu tambem toco um tamborim
Um tarol e um pandeiro
Pra não chorar a cuica do meu peito
Não
Pra não chorar a cuíca do meu peito

Quando piso na avenida
Meu coraçao se consola
Não penso na vida sofrida
Na solidão de outrora

Quero curtir o momento
Dar o braço ao meu mestre sala
Ele equilibrando o pandeiro
E eu segurando a saia

Vem, vem meu amor
O tempo bateu a porta
E disse que está só de passagem
Ele também envelhece, acredite
Nos carrega em sua bagagem

Tire esse chapéu
Deite aqui ao meu lado
Sou sua porta bandeira
A sambar um partido alto

Eu tambem toco um tamborim
Um tarol e um pandeiro
Pra não chorar a cuica do meu peito
Não
Pra não chorar a cuíca do meu peito

24/02/2009

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

ai daqueles!

"ai daqueles que se amaram
sem saber que amar é pão feito em casa
e que a pedra só não voa
porque não quer
não porque não tem asa

(Paulo Leminski)

Pode ser que a vida fique mais difícil do que já está, mas não quero desistir. Não vou desistir, vou lutar sempre pela paz dentro e fora de mim. O futuro não é meu, pois nem ao menos sei onde estarei daqui a um segundo, uma década, um século, uma vida. Tenho plena consciência de que não sei de nada, só sei que não vou desistir. É mais do que coragem ou vontade de seguir em frente, é fé absoluta naquilo que eu não tenho, naquilo que quero muito ter, mas não tenho. Quero olhar para os lados e ter a sensação de que fiz tudo correto ou, pelo menos, batalhei antes do erro. Escuto vozes a dizer: Adiante! Ando, ando, ando, caminho, caminho, caminho, não me encontro. Encontro apenas um espelho que reflete uma máscara que prefiro usar, um chapéu que consiga me proteger da chuva, um filtro solar imaginário. Quero que a poesia que tanto grito, que as palavras que tanto pronuncio sejam reflexos de minha vida. Quero que as aparências sejam realidades e que as minhas realidades sejam esquecidas, de fato. Tenho medo, claro. Mas tenho vontades. Não quero desistir, não vou parar de lutar por aquilo que sou, pela minha essência, pela minha plataforma. Não quero um futuro no presente, quero apenas um pouco de paz de presente.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

só uma fase...

Poema 9 I - Analice Alves

Sinto raiva de tudo isso
Te amar é muito mais que prejuízo
Gasto lenços, perco o juízo

Poema 9 II - Analice Alves

Bebo a vida pelas beiradas
Vai que aparece uma mosca no copo!
Engolir jamais, quero mais ócio

Vozes - Analice Alves

Eu posso tentar
Me mostrar ser melhor
Do que posso ser
Pra te merecer
Eu tenho muitos motivos
Pra tentar te esquecer

Eu quero a tua voz
Pra sempre como um hino
Quero teu beijo de boa noite
Teu sorriso matutino

Você é meu sol
Minha lua, meu Rio
de Janeiro, meu enredo
Meu rascunho e minha obra
Você é meu amor
è meu suor, minha cura
e minha cólera

Eu quero a tua voz
Como se fosse música
quero teu toque de carinho
tua coragem lúcida.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Estrelas

- Analice Alves

Eu não sei
O que quero da vida
Os meus planos
São tão banais
Mas quando eu olho
Para o futuro
Eu só vejo você
Minha estrela guia
Eu só quero o teu amor
Seja o causador
Da minha paz...