domingo, 21 de junho de 2009
Um momento
Meu amor, penetre o que tens
De maior e mais valioso
No meio de mim
E num movimento de ida
E volta
Venha pra ficar
Abra as portas do meu vestido
Tire a cor da minha boca que é tua
Enfie tua língua no meu céu
Procurando a lua
Beije-me o ventre
Acaricie minha barriga
Como se nela carregasse um filho teu
Jogue-me na cama, desfaça-me as tranças
E o dedo que é médio
Passa a ser intermédio
Do pouco falo
- o que não te faltas
Olha-me no olho
Recite frases feitas
Enalteça o que tens de maior
E mais valioso
O cheiro do gozo
Impregnado na cama
Já é passado, já é passado
O presente é chama, brasa ainda quente
Chuva de verão
Na hora, no ato
Perco-me de mim
Somos nós um único membro
Eu a abrir a janela
E você a me chover por dentro
- Um momento, um momento!
O dia termina
E a noite é uma criança
Encrenqueira
Visto o vestido, refaço minhas tranças
Para me desconsertar de novo
E por inteira
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Oferta
- Analice Alves
Toma meu peito, amor
E se faça nele presente
Escreva poemas em meu ser
Tatue teu nome em meu ventre
Arranque os cabelos
Toma meu amor, querido
E aproveite bem enquanto é tempo
O vento já balançou os meus cabelos
Num eterno descontento
Toma meu sangue, amor
E inclua minhas dores em tuas preces
Acenda uma vela ao santo que confias
Ofereça um ramo em meu nome
Toma meu suor, amor
E se esforce junto a mim
Batalhe pelo dia de ontem no amanhã
Enalteça o que silencio sem mentir
Toma este vinho, meu bem
E faça o que fiz em tua ausência
Pedi perdão, chorei, senti tua falta
Caí em desespero
Toma este poema, amor
E guarde como um regato extremo de bondade
Não escrevo para quem chamo
Escrevo o que vivo
E vivo para os que amo.
Toma meu peito, amor
E se faça nele presente
Escreva poemas em meu ser
Tatue teu nome em meu ventre
Arranque os cabelos
Toma meu amor, querido
E aproveite bem enquanto é tempo
O vento já balançou os meus cabelos
Num eterno descontento
Toma meu sangue, amor
E inclua minhas dores em tuas preces
Acenda uma vela ao santo que confias
Ofereça um ramo em meu nome
Toma meu suor, amor
E se esforce junto a mim
Batalhe pelo dia de ontem no amanhã
Enalteça o que silencio sem mentir
Toma este vinho, meu bem
E faça o que fiz em tua ausência
Pedi perdão, chorei, senti tua falta
Caí em desespero
Toma este poema, amor
E guarde como um regato extremo de bondade
Não escrevo para quem chamo
Escrevo o que vivo
E vivo para os que amo.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Máquina de viver
– Analice Alves
Eu me lembro
Das noites em claro
E dos dias escuros
Do sol e da lua nova
A realidade era um sonho
Um conjunto de frutas frescas
Caídas de uma árvore antiga
O nome escondido nos lábios
O aperto num peito vivo
Eu me lembro
Da casa e de seus barulhos
Da lâmpada queimada
Pelo medo do escuro
Dos quadros tortos após a ventania
Os livros do avô que não conheci
Enchiam-se de poeira e vida
Embelezavam as prateleiras
Do meu quarto de dormir
Ali, era certo, estava eu seguro de mim
Escapava dos perigos externos
Encontrava a essência do que era
Hoje mal posso esperar
Não tenho planos, tenho passados
Encontro-me no dedo anular
De um desconhecido
Meu coração já não sente
É puro órgão
Máquina complexa de viver
E o meu sorriso era uma felicidade silenciosa
A qual os outros se alegravam em ver
Os beijos e abraços eram verdadeiros, honestos
Eram cheios de um cheiro de amor
Afeto
E eu me lembro
De tudo o que um dia fui
Das tardes em que paralisava meus olhos
Num ponto da janela
E imaginava se faria falta quando morresse
Hoje me vejo sentindo falta
Dos que já foram
Dos que já fui
Meu choro é pobre em lágrimas amargas
De arrependimento, de não ter dito
De ter desperdiçado meu sofrimento
Com coisas pequenas
Hoje não choro, não sofro
Meu coração é puro órgão
Complexa máquina de viver.
Eu me lembro
Das noites em claro
E dos dias escuros
Do sol e da lua nova
A realidade era um sonho
Um conjunto de frutas frescas
Caídas de uma árvore antiga
O nome escondido nos lábios
O aperto num peito vivo
Eu me lembro
Da casa e de seus barulhos
Da lâmpada queimada
Pelo medo do escuro
Dos quadros tortos após a ventania
Os livros do avô que não conheci
Enchiam-se de poeira e vida
Embelezavam as prateleiras
Do meu quarto de dormir
Ali, era certo, estava eu seguro de mim
Escapava dos perigos externos
Encontrava a essência do que era
Hoje mal posso esperar
Não tenho planos, tenho passados
Encontro-me no dedo anular
De um desconhecido
Meu coração já não sente
É puro órgão
Máquina complexa de viver
E o meu sorriso era uma felicidade silenciosa
A qual os outros se alegravam em ver
Os beijos e abraços eram verdadeiros, honestos
Eram cheios de um cheiro de amor
Afeto
E eu me lembro
De tudo o que um dia fui
Das tardes em que paralisava meus olhos
Num ponto da janela
E imaginava se faria falta quando morresse
Hoje me vejo sentindo falta
Dos que já foram
Dos que já fui
Meu choro é pobre em lágrimas amargas
De arrependimento, de não ter dito
De ter desperdiçado meu sofrimento
Com coisas pequenas
Hoje não choro, não sofro
Meu coração é puro órgão
Complexa máquina de viver.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
My mind
– Analice Alves
You are in my mind
My mind is your house
My heart is your world
You are the only star I can see
The only voice I can hear
You are the song I listen patiently
I can’t live without your eyes
I can’t breathe without your smell
I can’t live, because I don’t want to live
Without you
You are my house
You are my world
I forgot the others words
I just want to speak your name
You are in my mind
And don’t tell me
I need forget you
I can’t!
My mind is your house,
Don’t you remember?
Leave me in peace
Forget my existence
Let me cry this love
Let me speak your name
As long as I live
You are in my mind
My mind is your house
My heart is your world
You are the only star I can see
The only voice I can hear
You are the song I listen patiently
I can’t live without your eyes
I can’t breathe without your smell
I can’t live, because I don’t want to live
Without you
You are my house
You are my world
I forgot the others words
I just want to speak your name
You are in my mind
And don’t tell me
I need forget you
I can’t!
My mind is your house,
Don’t you remember?
Leave me in peace
Forget my existence
Let me cry this love
Let me speak your name
As long as I live
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Sempre existiu cantando
Hoje, finalmente, foi a apresentação oral do meu trabalho sobre a transmutação musical dos poemas de Hilda Hilst feita por Zeca Baleiro. Um peso a menos em minhas costas, um ensinamento a mais em minha vida. Descobrir os poemas de Hilda foi, mais do que um conhecimento literário, uma lição de vida e de poesia. Afinal, ser poeta é um ofício. As músicas foram musicadas de modo magnífico e nem uma prova de latim básico II tirou o bom humor que tomou conta do meu dia por conta deste trabalho. Além de tudo, acho que quem lê e conhece meus poemas, sabe que sofri uma influência grande da Hilda Hilst, ou melhor, tentei imita-la, tentei ser a Hilda, mas isso é tarefa impossível e voltei às raízes.
Dez chamamentos ao amigo - Hilda Hilst
Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei.
E há tanto tempo
Entendo que sou terra.
Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu.
Pastor e nauta
Olha-me de novo.
Com menos altivez.
E mais atento.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Céu
"...e eu vi, Júlio, que era só soletrar teu nome que tu logo voltarias como um raio com direção certa em meu peito"
Teatro dos vivos – Analice Alves
O tempo, eu sei, passa
E o que fica é saudade
E sentimento
Tristeza e dor pelos que foram
Recomeço
O vento, eu sei, passa
E o que fica é tempestade
E pouca brisa
Tristeza e dor pela euforia do sol
Poesia
E eu penso nos motivos da vida
Nos destemperos e esperanças
Vejo que estou num teatro vivo
Se no final a solidão pula a janela
Só me resta cobrir de azul celeste
Um céu mais negro do que ela.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
O dom
- Analice Alves
Tens medo de ver o que tenho em mim
A potência do meu corpo e o calor do meu
Suor
Sei que sabes os meus segredos mais absurdos
Mas finge não saber e logo lhe digo:
Enquanto estás na largada
Já estou na chegada
A perigo
Sei que não tens o dom da fala
Apenas pronuncias o meu nome
Mas tens um falo e um coração
Que bate quando a camisa aberta
Quero a vida das prostitutas inocentes
Que batalham com o prazer
Sem senti-lo
Quero o mundo dos prostitutos inválidos
Que enaltecem os músculos e peles
Já flácidos
Aquilo tudo que eu já tive
Os horários perdidos por ti
As unhas postiças que não me servem
- meus dedos estreitos
a camisola de lã que me destes
teu corpo.
Quero amar por amar
Sem medo de não ser feliz
Amo a todos e a ninguém
Amo a ti
Quero qualquer coisa sem compromisso
O cigarro já apagado por um sapato velho
Ser o inseto na sopa, uma mosca em teu banheiro
Ser mulher em tua cama
Respirar sobre o teu peito
Quero errar por errar
Sem medo da falta de acerto
Erro muito, admito
Erro por receio
Quero qualquer coisa com atitude
O choro espontâneo de um torcedor fanático
O que permanece quando o livro se fecha
O cigarro tragado por inspiração
Ser uma mosquinha em teu banheiro, o inseto na sopa
Fazer-me mulher em teu leito.
Ser saliva em tua boca.
Tens medo de ver o que tenho em mim
A potência do meu corpo e o calor do meu
Suor
Sei que sabes os meus segredos mais absurdos
Mas finge não saber e logo lhe digo:
Enquanto estás na largada
Já estou na chegada
A perigo
Sei que não tens o dom da fala
Apenas pronuncias o meu nome
Mas tens um falo e um coração
Que bate quando a camisa aberta
Quero a vida das prostitutas inocentes
Que batalham com o prazer
Sem senti-lo
Quero o mundo dos prostitutos inválidos
Que enaltecem os músculos e peles
Já flácidos
Aquilo tudo que eu já tive
Os horários perdidos por ti
As unhas postiças que não me servem
- meus dedos estreitos
a camisola de lã que me destes
teu corpo.
Quero amar por amar
Sem medo de não ser feliz
Amo a todos e a ninguém
Amo a ti
Quero qualquer coisa sem compromisso
O cigarro já apagado por um sapato velho
Ser o inseto na sopa, uma mosca em teu banheiro
Ser mulher em tua cama
Respirar sobre o teu peito
Quero errar por errar
Sem medo da falta de acerto
Erro muito, admito
Erro por receio
Quero qualquer coisa com atitude
O choro espontâneo de um torcedor fanático
O que permanece quando o livro se fecha
O cigarro tragado por inspiração
Ser uma mosquinha em teu banheiro, o inseto na sopa
Fazer-me mulher em teu leito.
Ser saliva em tua boca.
Assinar:
Postagens (Atom)