sábado, 21 de agosto de 2010

21 de agosto - Pouquíssimo menos

E os dias continuam a se arrastar como água de chuva após atingir o chão. Mas de modo produtivo, eles se mostram ousados e velozes. Se arrastam como correnteza, velozmente, assustadoramente corrido. A lista de livros a serem lidos em três meses e que parecia uma meta facil de se cumprir, começa a causar desconforto e preocupação: temos meses a seguir, mas não dará tempo. O futuro que queríamos certo e congelado em nossas mãos, como o bife no congelador que tiramos de seu lugar frio, fritamos e comemos. O futuro não está congelado, porque ainda não existe... talvez o passado esteja paralizado em nossas mentes, mas também não existe mais. Hoje, agora, um sábado a noite, o penúltimo sábado de agosto, me faz pensar o que será de mim no mês que vem. Se sobrevivo ou se desabo, se olho para dentro de mim e sofro com verdade ou se olho para o mundo que me cerca e sorrio falsamente. Vez em quando a vida parece um pão sem recheio, ora duro feito pedra ora quentinho feito tarde de verão.

domingo, 15 de agosto de 2010

15 de agosto de 2010 - 3 meses

E a vida não é mais aquela maravilha, onde os dias passam e são vistos como graças e sorte. Os dias nessa nova vida, passam sem serem passados, se arrastam, são ocupados de propósito, pois assim é mais fácil, não há tempo, não há espaço para lembranças e saudades. Como a dor no ouvido que, de tão grande, faz esquecermos da dor causada por um amor, do buraco no peito, como uma úlcera no coração... ácido. A vida passa a ser uma quarta-feira chuvosa, cheia de compromissos que nos obrigam a deixar a cama e encarar um guarda-chuva quebrado. É uma batalha, em que não usamos armas, somos atacados por animais e pelo mal tempo. Vivemos sem tristeza e sem felicidade. Vivemos porque temos vida.

domingo, 9 de maio de 2010

Broken record

I hope your heart does not forget things like your mind. Cause everytime ark why i cry every night. Boy, how can you forget everything that you said? You just made mistakes. So how can i sleep with no tears and no prayers? You said i dont know what to do i'm going nowhere. Baby i have two hands and a head. I dont need the rest of the rest.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Streets

- Analice Rol

Wandering on these streets
I let my tears come out
And the air enter inside my lungs
I`m here lost and alone
With brazilian shoes
And sunglasses
- Nobody can see my red eyes
- Nobody can see my cold toes
I change the song

Wandering on these streets
People, especially men
Look at me at the same time
They know that I`m not from here
These eyes and this nose are from Brazil,
Mexico, wherever
But are not from America

I realized that I`m here by myself
Speaking english, thinking in english,
Forgeting my language and my name

I`m here
Wandering on these streets
In Brighton Beach
Looking for a pharmacy
To buy a tooth brush
And a tissue for my tears

I`m here, crying
The child who lives in me
Is dying
I throw it up
I grew up!
I`m in Brooklyn
Missing the picture
I have never taken with my family
Missing the eyes I saw yesterday
I`m here alone
And the wind is holding my hand.

(New York, april 28, 2010)

sábado, 17 de abril de 2010

How to get a broken heart

- Analice Alves

First of all, try to don`t think
about yourself and be worried
about birds and bees

Second, travel to other country
or other town and fall in love
with somebody who you will never
see again

Finally, go back to your place
Kiss your parents, take a nap
Call your friends, go to parties

Put your hand on your heart
You cannot feel, but trust me
It is broken

Your eyes will shed tears
on your face
suddenly...

(New York, April 16 - 2010)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Caminha dura

- Analice Alves

Eu não sei se, na verdade, vale a pena
Viver de amor sem nem saber pra quem se dar
E me fazer tão miúda e tão pequena
Em teu colo feito pássaro sem lar

Olha, meu amor, o meu olhar
É parecido com estrela vagarosa
Que num céu bem sorrateira e preguiçosa
Sem dor ao sol cede o seu lugar

Esse mundo é todo seu, me disse um dia
Sem me avisar que junto dele não viria
Agora diga de que me valem o mar e a terra
Se a alegria e a primavera estão perdidas por aí.

Meu coração não é direito, não tem porta
O que me resta é viver de solidão
Sou passarinho do Sertão numa gaiola
Teu colo é meu ninho de algodão

Olha, meu amor, a minha dor
É uma flor que desabrocha em pleno outono
E ao acordar de um sonho
Volta ao campo pra murchar

Meu coração é uma cidade iluminada
Que em noite enluarada
Vê a luz do lampião.
Bate de leve como sino sem badalo
Que em mês de aniversário
Perde o ar de seus pulmões

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Luz

- Analice Alves

És a luz que me envolve
Quando à noite, meio de lado
Durmo com os sustos que levei
Quando menina

Acredite, meu amor
O pôr-do-sol não tem luz
E nem graça sem a dor
Mude-me a impressão que
Tenho da vida
Meu mundo não mais gira

E a buzina que tocávamos
Em dó maior
Fez-se surda e muda
Isso dói
Feito ferida grave coberta por água salgada
Abrir os olhos e ver que sofri
Por quem não me encantaram aos olhos
Diga-me: qual é a função do meu coração
Quando, feito trem partido no trilho, esquece
A outra metade e se faz egoísmo?

E a voz não é mais canto, é grito
O suspiro é evidente quando, às 4 da tarde
Inibo meus planos e procuro-te feito cego
Em terras escuras e mago em ocasiões reais

És a luz que me envolve
Quando à noite, meio perdida
Acordo sobressaltada e, sem saber
O que quero da vida,
Vou e volto sem ficar parada

25.11.09