O dia hoje me parece melhor do que o ontem, quando o sofrimento da semana parece ter se dissolvido num único dia. Tudo parece maior na estrada, tudo parece pior num domingo. Hoje tento esquecer o ontem e as coisas que me fizeram mal. Tenho consciência de meus erros e da minha vontade de menos errar, mas é complicado. O mundo é tão torto que, buscando as coisas boas, acabei alcançando o errado e paguei o preço.
O dia está frio e cinzento. Os pássaros sumiram, as ruas estão vazias de carro, de gente, de almas. Feriado, penso eu. Sinto cansaço das coisas que ainda não fiz, temo por aquilo parecer insano, tenho medo de não conseguir viver mais do que vivi e não consertar os meus danos. Tenho certeza, alguém olha pra mim com olhos de pena e eu pouco posso fazer: sinto raiva de mim mesma.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
sábado, 4 de setembro de 2010
04 de setembro de 2010
O dia hoje parece uma jaula sem leões. Trancada dentro de mim e sem portas para mim mesma, encaro o que parecia distante: setembro. Tenho em mente os dias passando velozmente e o mundo a girar. Sou apenas um grão de areia, uma gota d'água. A dor no estômago que antes não tinha explicação, hoje tem até nome e, por sinal, assustador. As letras que viviam em minha mente prestes a se fazerem poesia, servem apenas para escrever e desabafar pensamentos desfeitos, mal elaborados. Tenho pena de quem é fraco, costumava pensar assim. Hoje minha realidade é outra: uso a fraqueza que tenho para ser mais forte. Uso a fortaleza inalcançável com palavras e dizeres alheios. Estou cansada. Só quero dormir, esquecer desse dia. Pensar que o futuro está aí: novembro.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
02 de setembro de 2010
O dia hoje foi quente. Desses que pensamos resultar em chuva no final das contas, mas não. Bichos de luz invadiram meu quarto e pareciam querer assistir televisão junto comigo. A apresentação de um trabalho sobre galego-português parece ter sido o objetivo do dia. Acordar, lavar o rosto, ajeitar o cabelo no espelho do elevador, pegar um ônibus e enfim, apresentar um trabalho sobre o galego-português. A vida, pelo menos, parece menos quente do que o dia. O frio que senti quando deixei teus braços é o mesmo que sinto agora, quando lembro do teu sorriso e sorrio junto, sem perceber. Depois de amanhã faço três meses longe de ti e todos dizem nossa, você sobreviveu. Ainda não sei. Não sei se sobrevivi por saber que vou te ver em breve ou se realmente morri por dentro e não me dei conta. Sei que, me amando ou não, vou ver teus olhos e eles me manterão viva por um século. A vida parece um quarto abafado, com janelas fechadas e bichos na luz. Amanhã eles comerão meus livros.
sábado, 28 de agosto de 2010
28 de agosto de 2010
Hoje ainda é hoje e, por isso, não posso falar muito do hoje, pois ainda não é amanhã. Sei apenas que venta forte lá fora, ao contrário da quinta-feira, quando o calor ocupou um corpo já quente. Hoje a varanda do apartamento parece o quintal de uma casa de interior, com vento fresco e ameno, com flores caindo das plantas e pássaros a alcançar o bebedouro. A vida continua a mesma, só que mais curta, com um dia a menos. Há sentimentos profundos e segredos jamais revelados, coração na boca ao ouvir teu nome e suor nas mãos ao perceber que ainda te quero. Ontem eu deitei em minha cama com a certeza de que te amo. Hoje acordei com a esperança de que fosse sonho. Não era. O hoje é uma realidade brutal: ainda te amo.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
25 de agosto - 85 dias
Hoje fez calor e o dia passou apressado. Quando senti um peso nas costas, já eram seis da tarde: hora de ir embora, chegar a casa, comer meio saco de batatas com mate gelado. O dia foi quente, com sol a pino, com direito a roupa colada no corpo, boca seca e cabelo oleoso. Hoje, segundo o jornal, o dia mais quente do inverno. Pois pra mim foi o dia mais quente do ano. Amanhã o sol vai voltar, o calor que no meu corpo ainda vive, ressuscitará em forma de cansaço e pesos nas costas, falta de energia nos nervos. Estou certa: vou acordar suada, vou almoçar uma salada mesmo sem fome, vou pra vida viver o que me resta. Tudo isso, pensando em você.
sábado, 21 de agosto de 2010
21 de agosto - Pouquíssimo menos
E os dias continuam a se arrastar como água de chuva após atingir o chão. Mas de modo produtivo, eles se mostram ousados e velozes. Se arrastam como correnteza, velozmente, assustadoramente corrido. A lista de livros a serem lidos em três meses e que parecia uma meta facil de se cumprir, começa a causar desconforto e preocupação: temos meses a seguir, mas não dará tempo. O futuro que queríamos certo e congelado em nossas mãos, como o bife no congelador que tiramos de seu lugar frio, fritamos e comemos. O futuro não está congelado, porque ainda não existe... talvez o passado esteja paralizado em nossas mentes, mas também não existe mais. Hoje, agora, um sábado a noite, o penúltimo sábado de agosto, me faz pensar o que será de mim no mês que vem. Se sobrevivo ou se desabo, se olho para dentro de mim e sofro com verdade ou se olho para o mundo que me cerca e sorrio falsamente. Vez em quando a vida parece um pão sem recheio, ora duro feito pedra ora quentinho feito tarde de verão.
domingo, 15 de agosto de 2010
15 de agosto de 2010 - 3 meses
E a vida não é mais aquela maravilha, onde os dias passam e são vistos como graças e sorte. Os dias nessa nova vida, passam sem serem passados, se arrastam, são ocupados de propósito, pois assim é mais fácil, não há tempo, não há espaço para lembranças e saudades. Como a dor no ouvido que, de tão grande, faz esquecermos da dor causada por um amor, do buraco no peito, como uma úlcera no coração... ácido. A vida passa a ser uma quarta-feira chuvosa, cheia de compromissos que nos obrigam a deixar a cama e encarar um guarda-chuva quebrado. É uma batalha, em que não usamos armas, somos atacados por animais e pelo mal tempo. Vivemos sem tristeza e sem felicidade. Vivemos porque temos vida.
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