- Analice Ról
Tenho pensado pouco nele
E por pensar tão pouco, esqueço teu rosto
Fotografias me trazem sua forma,
Mas o cheiro, o jeito de andar, a forma de falar
As palavras que dizia... já esqueço
Dormiram em minha mente como um trauma de infância
Que demoramos a esquecer ou procuramos por tratamento
Tenho pensado nisso muitas vezes
Quando à noite deito e, sem teus pés por debaixo dos lençóis
Não sinto falta e acho melhor viver só
As lembranças viraram um suspiro atordoado
Uma experiência, um trecho da vida
História para contar depois para os filhos e netos
Ou para estranhos num aeroporto
Tenho pensado nele poucas vezes
Porque outros invadem meus momentos
Quando penso nele, aparece o segundo
Quando esqueço dele, me vem o terceiro
E já nem lembro do segundo que me fez esquecê-lo
Penso que é "vida que segue"
E que há tantas possibilidades
Felicidade não existe
E não quero fantasmas
Vivo meus dias como se fossem últimos
Eu não me importo mais
Não gasto lágrimas.
[9 dias]
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Descaminhos
- Analice Ról
Meu mundo roda em mãos alheias
E já nem choro por isso
Não é um grande problema
Atravesso ruas já conhecidas
Calculo os minutos para que abra o sinal
E corro
Uma dor talvez me acorde de madrugada
Pontadas no peito, queimação no esôfago
Mas sei que não é um grande problema
Rezo baixo, sussurro teu nome e já durmo
O sofrimento não é tão ruim
Olho para dentro de mim e não fujo
Apenas com olhos confusos
Como quando peguei um ônibus errado
E parei num lugar de onde não sabia sair
Pedi informação. Voltei pra casa.
Agora me vejo mulher forte
Talvez não seja. Talvez não me comporte como tal
Quando ao teu lado estiver
E deixar meu peito chorar, derreter a neve com o sal
de lágrimas
Libertar o que me aflige, o que me faz pecadora sem o ser
Se nada der certo, volto em breve
Digo que te amo e que não te esqueço
Mas abro a porta e parto para não mais voltar
Se tudo der certo, corro para teus braços
Digo que te amo e deito ao lado teu
Abro a porta deixando-a entreaberta
Se tudo já estiver certo agora
Uno minhas mãos em encontro às tuas preces
Perco a memória e esqueço de teu beijo
Não encontro o caminho para teus braços
Peço informação. Voltarei pra casa.
[12 dias]
Meu mundo roda em mãos alheias
E já nem choro por isso
Não é um grande problema
Atravesso ruas já conhecidas
Calculo os minutos para que abra o sinal
E corro
Uma dor talvez me acorde de madrugada
Pontadas no peito, queimação no esôfago
Mas sei que não é um grande problema
Rezo baixo, sussurro teu nome e já durmo
O sofrimento não é tão ruim
Olho para dentro de mim e não fujo
Apenas com olhos confusos
Como quando peguei um ônibus errado
E parei num lugar de onde não sabia sair
Pedi informação. Voltei pra casa.
Agora me vejo mulher forte
Talvez não seja. Talvez não me comporte como tal
Quando ao teu lado estiver
E deixar meu peito chorar, derreter a neve com o sal
de lágrimas
Libertar o que me aflige, o que me faz pecadora sem o ser
Se nada der certo, volto em breve
Digo que te amo e que não te esqueço
Mas abro a porta e parto para não mais voltar
Se tudo der certo, corro para teus braços
Digo que te amo e deito ao lado teu
Abro a porta deixando-a entreaberta
Se tudo já estiver certo agora
Uno minhas mãos em encontro às tuas preces
Perco a memória e esqueço de teu beijo
Não encontro o caminho para teus braços
Peço informação. Voltarei pra casa.
[12 dias]
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Quinze dias
- Analice Ról
Se eu não tivesse morrido ontem
Encararia de bom grado as estrelas
Que em meus olhos são assimiladas
E fazem estrago na vista, nos cílios,
nas pálpebras
Juntaria as minhas mãos uma vez mais
Para pedir perdão por erros secos, imaturos
e banais
Tentaria ser mais que pura matéria
Buscaria ser vidros transparentes
e não espelhos
Mas cá estou: uma alma limpa
como as águas do Tejo de Cesário
Se eu não tivesse morrido ontem
Após a tempestade que corria por meus olhos
Após as preces que ouvia e o delírio que senti
Certamente continuaria no sofrimento latente
Que punge as horas, os dias, as horas, as horas
Que não passam, se arrastam
Minhas mãos, porcelanas que outrora fazia magia
Hoje se igualam a pouco, a pó, a nada
Mãos de vendedora de peixe
Num fim de feira
Se eu não tivesse morrido ontem
Talvez morresse hoje, amanhã, ou no sábado
Dessa semana, certamente, não passaria
Se for pra morrer que seja em outubro,
em mês de votação, em dia de Halloween
Mas eu já fui. E o que me matou não foi febre
Câncer, gastrite ou amor
Foi vazio. Foi um chão sem possibilidades
De se traçar um caminho
Não sou mais triste porque não deixei frutos
Não te deixei um menino de pele morena
E nariz adunco
Morro jovem
Com pais vivos
Sem filhos
Sem Diego.
[15 dias]
Se eu não tivesse morrido ontem
Encararia de bom grado as estrelas
Que em meus olhos são assimiladas
E fazem estrago na vista, nos cílios,
nas pálpebras
Juntaria as minhas mãos uma vez mais
Para pedir perdão por erros secos, imaturos
e banais
Tentaria ser mais que pura matéria
Buscaria ser vidros transparentes
e não espelhos
Mas cá estou: uma alma limpa
como as águas do Tejo de Cesário
Se eu não tivesse morrido ontem
Após a tempestade que corria por meus olhos
Após as preces que ouvia e o delírio que senti
Certamente continuaria no sofrimento latente
Que punge as horas, os dias, as horas, as horas
Que não passam, se arrastam
Minhas mãos, porcelanas que outrora fazia magia
Hoje se igualam a pouco, a pó, a nada
Mãos de vendedora de peixe
Num fim de feira
Se eu não tivesse morrido ontem
Talvez morresse hoje, amanhã, ou no sábado
Dessa semana, certamente, não passaria
Se for pra morrer que seja em outubro,
em mês de votação, em dia de Halloween
Mas eu já fui. E o que me matou não foi febre
Câncer, gastrite ou amor
Foi vazio. Foi um chão sem possibilidades
De se traçar um caminho
Não sou mais triste porque não deixei frutos
Não te deixei um menino de pele morena
E nariz adunco
Morro jovem
Com pais vivos
Sem filhos
Sem Diego.
[15 dias]
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
28 de outubro de 2010
- Analice Ról
Com o peito calado
Tento refazer o caminho
Pensei no egoísmo que me invade
E ao mesmo tempo
Preocupo-me com o sangue
Deixado no espinho que me fere
A vida, essa sim, complicada criatura
Tanto chão, tanto tempo
Vejo-me aqui, a chorar por um passado incerto
Um presente descrente
Um futuro que, afinal, já nem existe
Com o rosto de lado
Penso no tudo que vivi e passei
Você, talvez, não entenda o que se passou
Ache-me fraca e covarde
A fazer dramas com coisas poucas
E talvez seja isso
Coisas poucas
Pequenas
Nada
Talvez o que era tudo
Tornou-se um vazio
Completo vazio que me enche de prantos...
[16 dias e isso me assusta]
Com o peito calado
Tento refazer o caminho
Pensei no egoísmo que me invade
E ao mesmo tempo
Preocupo-me com o sangue
Deixado no espinho que me fere
A vida, essa sim, complicada criatura
Tanto chão, tanto tempo
Vejo-me aqui, a chorar por um passado incerto
Um presente descrente
Um futuro que, afinal, já nem existe
Com o rosto de lado
Penso no tudo que vivi e passei
Você, talvez, não entenda o que se passou
Ache-me fraca e covarde
A fazer dramas com coisas poucas
E talvez seja isso
Coisas poucas
Pequenas
Nada
Talvez o que era tudo
Tornou-se um vazio
Completo vazio que me enche de prantos...
[16 dias e isso me assusta]
terça-feira, 26 de outubro de 2010
27 de outubro de 2010 *
Hoje, depois de um tempo que era pouco mas disfarçado de eternidade pela minha ansiedade, percebo que os erros, todos eles, foram em nome de mim mesmo. Talvez por egoísmo ou excessivo amor ao outro, o que também te faz egoísta, ainda não descobri, mas por tudo isso, deixei de ser eu e passei a ser eu mesma mas de modo incompleto. Carrego nas costas os dias que vivi sob tortura, culpando-me por erros que não eram meus, culpando-me por maldades que não vinham de mim, a ser julgada pelo olhar alheio como destruidora de sonhos. Basta. Sei que não sou a melhor pessoa do mundo e, certamente, estou longe dessa colocação, mas não posso me culpar por algo cometido sem maldade, por algo pelo qual me arrependo a cada segundo. Não posso ser julgada eternamente, perder a confiança dos que amo por imaturidade juvenil, bobagens, tolices. Não sei mais. Cansei, ando exausta de cobranças vindas de mim, de perfeccionismo impossível de ser alcançado. Eu só queria paz. Não quero dinheiro. Não quero poder. Talvez nem queira amor, o meu já se basta. Eu só queria dormir e acordar em paz. Sonhar que tudo está consertado e acordar com o toque de teus pés.
[17 dias]
[17 dias]
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
22 de outubro de 2010
E quando achei que alcançaria tudo, dei-me conta de que o tudo já não fazia sentido. Assim como a vida que, um dia, deixei pra trás para buscar sonhos. Não há magia que faça meu coração parar de sofrer. Se amo, sofro pela saudade. Se não amo, percebo que sou fraca, frágil de forças, que o amor que parecia eterno, se desfez no ar como um perfume caro a ser desperdiçado.
[21 dias]
[21 dias]
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
21 de outubro de 2010
O dia passou tão apressado que, quando vi, já era amanhã. Um amanhã que não conheço tudo, conheço nada. Conheço apenas os minutos que passaram, os segundos que aceleram enquanto escrevo. Cansaço. Liberdade. Amigos. O que mais gostaria eu? Uma quarta-feira cheirando a estresse mas com gosto de quero-mais. Os dias passam depressa. Quando durmo, lembro de tudo, vejo que falta pouco e bate medo e insegurança. Não sei mais se sou sua, não sei mais se sou minha, qual é o meu lugar.
[22 dias]
[22 dias]
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