quarta-feira, 27 de julho de 2011

Poema III

- Analice Ról

E nada destrói o mar que se rebela contra mim
Com águas fortes, barcos imóveis, corações frágeis

Nada corrói o céu que se revolta contra ti
Com chuvas fracas, aves altas, nuvens brancas

Tudo vai de encontro ao que somos
Fujo de ti, foges de mim, fugimos de nós
Somos pássaros sem asas sadias

domingo, 5 de junho de 2011

O amor me achou

- Analice Ról

O amor me achou
E hoje em mim habitado
Mal me deixa levantar
Para tomar um copo d'água
Lutar contra a febre
E passar os dias

Não consigo acordar cedo
Nos dias de compromisso
Não consigo acordar tarde
Aos sábados e domingos

O amor me achou
E não me larga
Não me deixa ler sossegada
Não permite que eu compreenda
Um texto lido e relido

O amor me estraga as fontes
Mal me deixa vestir-me com as minhas melhores roupas
Calçar meus melhores sapatos
- O amor deixou-me ali sem sequer chinelos
De pés descalços

O amor me estragou
Não consigo passar os dias
Lutar contra morte
E viver a vida.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

segunda-feira, 2 de maio de 2011

domingo, 17 de abril de 2011

Em redor

- Analice Ról O que faço agora Com esse coração de barbante O desespero a nem ser escutado Em alto falante E o coração é Brasil de antigamente Separado em capitanias hereditárias O que faço agora Nesse país distante A inteligência a virar Ignorância de iniciante E os meus olhos São lâmpadas queimadas No final de um purgatório americano O que faço agora Nesta ficção sem ser romance A ter o que é meu Fora de meu alcance E as minhas mãos, mesmo limpas, Sujam os lençóis de desconhecidos não amados.

domingo, 3 de abril de 2011

Que o meu Deus seja cada dia menos humano e que as escadas que me levarão ao céu existam, de fato no cotidiano da minha vida errante.

quinta-feira, 24 de março de 2011

A voz

- Analice Ról

Foda-se a estrada
E os seus perigos

Não tenho medo dos caminhos
E dos nadas em bandos perdidos

Não ouço a voz da montanha
Mas vejo Deus
Que Ele me perdoe por eu dizer que O vejo
Na verdade, pode ser apenas uma luz ou vulto
Ou sombra de um mendigo

Não, não quero isso pra mim
A vida é mais do que simples passos
Mais do que simples poemas mal escritos
Rabiscados, não-pensados
Não sou poeta, nunca o fui

Foda-se a literatura
Quero acordar e ver que ainda vivo
Abrir os armários da casa de campo
E vestir-me com as roupas antigas de minha avó Celeste.