- Analice Ról
Com o peito calado
Tento refazer o caminho
Pensei no egoísmo que me invade
E ao mesmo tempo
Preocupo-me com o sangue
Deixado no espinho que me fere
A vida, essa sim, complicada criatura
Tanto chão, tanto tempo
Vejo-me aqui, a chorar por um passado incerto
Um presente descrente
Um futuro que, afinal, já nem existe
Com o rosto de lado
Penso no tudo que vivi e passei
Você, talvez, não entenda o que se passou
Ache-me fraca e covarde
A fazer dramas com coisas poucas
E talvez seja isso
Coisas poucas
Pequenas
Nada
Talvez o que era tudo
Tornou-se um vazio
Completo vazio que me enche de prantos...
[16 dias e isso me assusta]
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
terça-feira, 26 de outubro de 2010
27 de outubro de 2010 *
Hoje, depois de um tempo que era pouco mas disfarçado de eternidade pela minha ansiedade, percebo que os erros, todos eles, foram em nome de mim mesmo. Talvez por egoísmo ou excessivo amor ao outro, o que também te faz egoísta, ainda não descobri, mas por tudo isso, deixei de ser eu e passei a ser eu mesma mas de modo incompleto. Carrego nas costas os dias que vivi sob tortura, culpando-me por erros que não eram meus, culpando-me por maldades que não vinham de mim, a ser julgada pelo olhar alheio como destruidora de sonhos. Basta. Sei que não sou a melhor pessoa do mundo e, certamente, estou longe dessa colocação, mas não posso me culpar por algo cometido sem maldade, por algo pelo qual me arrependo a cada segundo. Não posso ser julgada eternamente, perder a confiança dos que amo por imaturidade juvenil, bobagens, tolices. Não sei mais. Cansei, ando exausta de cobranças vindas de mim, de perfeccionismo impossível de ser alcançado. Eu só queria paz. Não quero dinheiro. Não quero poder. Talvez nem queira amor, o meu já se basta. Eu só queria dormir e acordar em paz. Sonhar que tudo está consertado e acordar com o toque de teus pés.
[17 dias]
[17 dias]
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
22 de outubro de 2010
E quando achei que alcançaria tudo, dei-me conta de que o tudo já não fazia sentido. Assim como a vida que, um dia, deixei pra trás para buscar sonhos. Não há magia que faça meu coração parar de sofrer. Se amo, sofro pela saudade. Se não amo, percebo que sou fraca, frágil de forças, que o amor que parecia eterno, se desfez no ar como um perfume caro a ser desperdiçado.
[21 dias]
[21 dias]
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
21 de outubro de 2010
O dia passou tão apressado que, quando vi, já era amanhã. Um amanhã que não conheço tudo, conheço nada. Conheço apenas os minutos que passaram, os segundos que aceleram enquanto escrevo. Cansaço. Liberdade. Amigos. O que mais gostaria eu? Uma quarta-feira cheirando a estresse mas com gosto de quero-mais. Os dias passam depressa. Quando durmo, lembro de tudo, vejo que falta pouco e bate medo e insegurança. Não sei mais se sou sua, não sei mais se sou minha, qual é o meu lugar.
[22 dias]
[22 dias]
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
16 de outubro de 2010
O dia hoje, como outros e diferente dos mesmos, pareceu flutuar. A falta da obrigação diária e um sábado ocioso pela frente pareceram o melhor. Ferido, pensei mais uma vez. Tudo muda e ao mesmo tempo sinto como se tudo estivesse como era antes. Eu mudei. Talvez só eu tenha mudado e, por isso, enxergado tudo de outro jeito. O tempo passa. Eu passo. Eu mudo. Tudo.
[27 dias]
[27 dias]
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
13 de outubro de 2010 - 1 mês
O que parece é que me acostumei sem ele. Mas quando sorrio pela independência, bate uma saudade inexplicável. Dor de cabeça. Dor no estômago. Ansiedade. Não quero partir, mas quero te ter por perto. Que fazer? Fechar os olhos, lembrar de teus abraços e viver os dias, os últimos. Estou aqui. Estou lá.
[30 dias]
[30 dias]
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
08 de outubro de 2010
Indiferente, acordei atrasada. Vesti uma roupa qualquer, passei uma escova no cabelo, uma maquiagem básica, joguei caderno, livros, chaves, dinheiro dentro da bolsa, resolvi amarrar os cadarços no elevador. Meu celular com a bateria fraca apitou até me fazer desliga-lo até o fim do dia, quando cheguei a casa, comi um bife amassado com batatas e mate e novamente, saí. Dei aula para uma turma de um homem só. Escorreguei na profissão mais altruísta e sonhadora que existe: o magistério. Ser mestre requer humildade. Talvez eu não tenha. Dei entrevistas para jornais, conversei com estranhos, vi televisão, cochilei por cinco minutos e sonhei com ele. O violão aqui do lado me chama, quer falar um pouco. Mas não. Meus dedos hoje querem descanso, meus olhos querem escuridão. Meu mundo está de volta e eu mal o percebo.
[35 dias]
[35 dias]
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