sexta-feira, 10 de setembro de 2010

10 de setembro de 2010

Hoje faz frio, parece julho brasileiro ou dezembro nova-iorquino. Ando pelas ruas com passos apressados, porque realmente me atraso para compromissos importantes. Meu coração pára em todas as esquinas, funciona dia sim, dia não. Nas terças e quintas costuma se ocupar mais e, por isso, ser mais feliz. Nas quartas ele quebra feito galho podre após o peso do pouso de um pássaro sem nome. Hoje faz barulho na minha cabeça. Meu mundo roda, sem respostas. Meu rosto no espelho já não é o mesmo. Mas ao ouvir aquela tal música, chorei. Derramei lágrimas que havia derramado aos doze anos. Vi que era a mesma: eu e nada mais.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

08 de setembro de 2010

O dia hoje está frio. Não sei se ando nervosa e preocupada e com mãos geladas. Sei que sinto frio na alma e nos pés. Atravessei a rua principal como se nunca a tivesse visto antes. E foi ali, onde andei de bicicleta pela primeira vez, onde peguei o ônibus no primeiro dia de faculdade, onde encontrei diversos conhecidos e paramos para um papo ou um sorriso. Atravessei. Mudei de calçada e o frio parecia maior no outro lado. Amanhã é dia de aniversário. De quem, pergunto eu. Meu dia. Não estou feliz como nos outros anos. Tenho tanta coisa para pedir antes de apagar as velinhas que é bem capaz d'elas apagarem sozinhas, por si só. E eu ficar de olhos molhados e uma fatia de bolo na mão, sem ter a quem entregar um primeiro pedaço.
O dia é de festa e o que eu espero é que faça festa em meu coração e minha vida encha-se de esperança e perdão por amar.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

6 de setembro de 2010

O dia hoje me parece melhor do que o ontem, quando o sofrimento da semana parece ter se dissolvido num único dia. Tudo parece maior na estrada, tudo parece pior num domingo. Hoje tento esquecer o ontem e as coisas que me fizeram mal. Tenho consciência de meus erros e da minha vontade de menos errar, mas é complicado. O mundo é tão torto que, buscando as coisas boas, acabei alcançando o errado e paguei o preço.
O dia está frio e cinzento. Os pássaros sumiram, as ruas estão vazias de carro, de gente, de almas. Feriado, penso eu. Sinto cansaço das coisas que ainda não fiz, temo por aquilo parecer insano, tenho medo de não conseguir viver mais do que vivi e não consertar os meus danos. Tenho certeza, alguém olha pra mim com olhos de pena e eu pouco posso fazer: sinto raiva de mim mesma.

sábado, 4 de setembro de 2010

04 de setembro de 2010

O dia hoje parece uma jaula sem leões. Trancada dentro de mim e sem portas para mim mesma, encaro o que parecia distante: setembro. Tenho em mente os dias passando velozmente e o mundo a girar. Sou apenas um grão de areia, uma gota d'água. A dor no estômago que antes não tinha explicação, hoje tem até nome e, por sinal, assustador. As letras que viviam em minha mente prestes a se fazerem poesia, servem apenas para escrever e desabafar pensamentos desfeitos, mal elaborados. Tenho pena de quem é fraco, costumava pensar assim. Hoje minha realidade é outra: uso a fraqueza que tenho para ser mais forte. Uso a fortaleza inalcançável com palavras e dizeres alheios. Estou cansada. Só quero dormir, esquecer desse dia. Pensar que o futuro está aí: novembro.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

02 de setembro de 2010

O dia hoje foi quente. Desses que pensamos resultar em chuva no final das contas, mas não. Bichos de luz invadiram meu quarto e pareciam querer assistir televisão junto comigo. A apresentação de um trabalho sobre galego-português parece ter sido o objetivo do dia. Acordar, lavar o rosto, ajeitar o cabelo no espelho do elevador, pegar um ônibus e enfim, apresentar um trabalho sobre o galego-português. A vida, pelo menos, parece menos quente do que o dia. O frio que senti quando deixei teus braços é o mesmo que sinto agora, quando lembro do teu sorriso e sorrio junto, sem perceber. Depois de amanhã faço três meses longe de ti e todos dizem nossa, você sobreviveu. Ainda não sei. Não sei se sobrevivi por saber que vou te ver em breve ou se realmente morri por dentro e não me dei conta. Sei que, me amando ou não, vou ver teus olhos e eles me manterão viva por um século. A vida parece um quarto abafado, com janelas fechadas e bichos na luz. Amanhã eles comerão meus livros.

sábado, 28 de agosto de 2010

28 de agosto de 2010

Hoje ainda é hoje e, por isso, não posso falar muito do hoje, pois ainda não é amanhã. Sei apenas que venta forte lá fora, ao contrário da quinta-feira, quando o calor ocupou um corpo já quente. Hoje a varanda do apartamento parece o quintal de uma casa de interior, com vento fresco e ameno, com flores caindo das plantas e pássaros a alcançar o bebedouro. A vida continua a mesma, só que mais curta, com um dia a menos. Há sentimentos profundos e segredos jamais revelados, coração na boca ao ouvir teu nome e suor nas mãos ao perceber que ainda te quero. Ontem eu deitei em minha cama com a certeza de que te amo. Hoje acordei com a esperança de que fosse sonho. Não era. O hoje é uma realidade brutal: ainda te amo.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

25 de agosto - 85 dias

Hoje fez calor e o dia passou apressado. Quando senti um peso nas costas, já eram seis da tarde: hora de ir embora, chegar a casa, comer meio saco de batatas com mate gelado. O dia foi quente, com sol a pino, com direito a roupa colada no corpo, boca seca e cabelo oleoso. Hoje, segundo o jornal, o dia mais quente do inverno. Pois pra mim foi o dia mais quente do ano. Amanhã o sol vai voltar, o calor que no meu corpo ainda vive, ressuscitará em forma de cansaço e pesos nas costas, falta de energia nos nervos. Estou certa: vou acordar suada, vou almoçar uma salada mesmo sem fome, vou pra vida viver o que me resta. Tudo isso, pensando em você.