quarta-feira, 6 de outubro de 2010

06 de outubro de 2010

O dia hoje passou corrido. Me atrasei para compromissos, mas não perceberam. Minto. Alguém notou. Sorri para desconhecidos e conversei com os mesmos sobre assuntos que só interessavam à eles, tentei ser simpática, ouvir às vezes pode fazer bem a alguém, mesmo que te dê uma dor de cabeça repentina e passageira.
Quando entrei no elevador e encontrei a vizinha do 17° e a mesma me pediu ajuda com as compras (sacolas levíssimas, na verdade), não pestanejei. Segurei as sacolas quase vazias enquanto a mesma conversava sobre sua neta advogada. O dia passou apressado. Quando dei por mim, estava aqui, sentada em uma cadeira já gasta, falando de um dia que nem terminou, dizendo besteiras de um outubro recém nascido.

[37 dias]

sábado, 2 de outubro de 2010

02 de outubro de 2010

Sim, hoje é sábado. A sexta mereceu palavras, breves porém. Se no meu peito uma escuridão cegava o que nem enxergava, o mundo abriu caminhos. Vi que tenho luz. Talvez não uma luz própria, mas um merecimento por aquilo que um dia fiz, que um dia senti e sinto. Tenho a sensação de que deixo as coisas para trás, como um personagem que há tempos escrevi e julguei. Deixo coisas mal resolvidas, resolverei em breve. Relevarei o que me aflige com a certeza de que sempre temos uma nova chance. O bom da vida é que, estando vivo, temos chances, temos a estrutura de um corpo e a eternidade de uma alma para sofrer, tropeçar, levantar, tentar. Recomeço.

[41 dias]

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

29 de setembro de 2010

Hoje acordei com a vontade de subir o Everest e ler A montanha mágica. Mas cruzei esquinas vazias e terminei um capítulo do livro de Eco. Senti a vontade do vento em me levar pra um lugar mais próximo ao mar, mas fingi que não era comigo. Continuei na mesma calçada, mirando a frente onde nada encontrava e passando por homens que olhavam o que talvez você sinta saudade de olhar. Avistei a vida a ser vivida ali tão perto, dias, digo dias e nada mais. Alívio ou suplício, desespero ou recompensa, estou num caminho necessário a se percorrer. Se certo ou errado, já não sei. Creio no poder das coisas e isso me basta.

[44 dias]

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

24 de setembro de 2010

Hoje o dia foi cheio. Cicatrizes me doeram pela manhã, quando ao pegar um ônibus, escorreguei na memória que me aflige e relembrei o que estava escondido debaixo de cacos. Ri, na verdade, quando encontrei amigos. Percebi que, antes, sentia um vazio tremendo capaz de me derrubar num dia bonito e que hoje, talvez, o que era a solução dos meus problemas, seja apenas mais um empecílio na estrada da vida. Nada acontece. Tudo acontece. Simplesmente não sei.

[49 dias]

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

22 de setembro de 2010

O dia hoje parece calmo. O calor se espalha pelo ar da cidade e nos faz ofegar. A pressão baixa abaixou um pouco mais. Vultos foram vistos. Olhos pequenos. O desejo de uma chuva cair de repente. A caminho de casa, vi crianças. Lembrei da minha infância e da infância da criança que ainda não tive. Vontade de chorar, não tive. Quis apenas continuar andando, sorrir levemente, sem mais e más intenções. Amar é fundamental na vida. Seja o que for. Hoje dei-me conta de que amo o que sinto. Com erros ou acertos, fiz tudo por uma força maior: amor e nada mais.

[51 dias]

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

17 de setembro de 2010

Hoje o dia foi longo. Cansativo. Mas leve. Levantar cedo após uma noite mal dormida, cheia de pesadelos e dores no estômago, parece desastre. Mas não. Aos poucos, ao passar das horas, nos adequamos àquela vida real. Os olhos se abrem mais, a cabeça pára de pensar nos sonhos mal lembrados, as pessoas te trazem de volta como um fio terra. Hoje está calor, mas um vento gostoso e gelado nos alivia do forno que encontramos fora da sombra. Amigos em redor, amigos, somente, porém. Risos desabrocharam de mim, conversas sem sentido, palavras vazias que meu ouvido necessita. Amigos, porém, apenas. E isso me parece o melhor.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

15 de setembro de 2010

Hoje faz calor. Mas me deu vontade de sair de casa, ver o que se passava nas ruas, no mundo. Penso que falta pouco e o tanto que já esperei faz desse pouco um muito pouco. A melhor coisa, talvez, tenha sido assumir um silêncio dos inocentes e não mais explicar. Deixar as coisas se acalmarem e voltar à vida de antes, antes que ela desaparecesse ou virasse um passado sem lembranças. Penso que não falta nada. Dois meses não exatos, menos que isso. Pouco, no entanto. Talvez tudo se resolva com a minha chegada, sem palavras. Lágrimas, porém, sei que vão escorrer pelo meu rosto, borrar a maquiagem que escolhi a dedo, vão sujar meus olhos, e mesmo assim, vou te abraçar, vou molhar tua camisa. E mesmo assim, vou te amar chorando. E você, sem saber se é o gemido do coito ou um choro de saudade, vai me mordiscar a orelha e dizer bem baixinho: I love you.