quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Deixa a menina sambar em paz


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Tenho vergonha dessa poesia. Até porque, não tem muito a ver comigo. Espero que acreditem nisso.




Deixa disso - Analice Alves

Ô Menino, deixa disso!
Pare com esse vício
De me magoar

Ô Menino, não vês
Que é um malefício
Pro meu pobre heart

Ai, meu Santo Cristo
Ilumine o coração desse menino
Que só sabe me machucar, me doer
Vê se acabe com esse perigo
De me fazer chorar
Só de ele me ver

Ai, meu Santo Daime
Dá-me paciência pra aturar
Tamanho desespero
Tamanho penar cravado em mim

E o menino que acabou
Com my heart
Que esqueceu my voice
E esnobou my car
Hoje está comendo
Um big mac
Fazendo o big brother
Virando um pop star
E esquecendo do meu Kiss.

06/05/07

terça-feira, 25 de setembro de 2007


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Inveja do Camelo quando fez:



"é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê"

(Além do que se vê - Los Hermanos)


Esconderijo – Analice Alves

Meu coração
Se fazendo de moradia
Lá ainda existe vida?
Ausência, abismo, dor
Risco corrido
Rabisco decorado
E apagado na memória

Quantas vezes
Encontrei o amor
Esquecido num canto
Numa prateleira
Escondido entre os livros

De quando em quando
Passava uma flanela no amor
Um pouco de verniz
Disfarçando a cicatriz

Depois esquecia...
No meio da tarde
Escutava seu gemido de dor
Estava ocupada
Cortando as unhas dos pés
Ou batendo uma vitamina
No liquidificador

O amor foi envelhecendo
Pouco usado
Desperdiçado
Subtraído

Depois de tanto espanto
Tanto pranto
Tanto tanto
Dei-me conta de que o amor
Merecia muito mais
Do que isso...

06/05/07

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Destino para lugar algum

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A claridade do dia não oprime a tristeza da vida. Quem dera a escuridão fosse apenas um quarto de criança no breu com palhacinhos sorrindo nas prateleiras. Quem dera as dores do amor fossem curadas com sonridor. Queria ser um gato com sete vidas ou um desenho de vídeo game com milhares dela.
23/09/07

Ontem, voltando da Bienal, uma imagem chamou minha atenção não porque era diferente, pelo contrário, muito comum: um menino fazendo malabarismo no trânsito da Barra. Era um domingo à noite. Rapidamente, veio à mente as possibilidades daquele menino: ele poderia estar em casa, vendo televisão, lanchando, voltando de viagem e ainda, arrumando os livros na mochila pra acordar cedo hoje e ir à escola. Nunca concordei em dar dinheiro pra criança visto que logo aparece um adulto (antes escondido) e toma as míseras moedas das mãos do menor. Mas nesse caso, se a vida dele é ruim sem a moeda, seria pior sem esta. Demos-lhe um real.
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domingo, 23 de setembro de 2007

Papai, não me empreste o carro!


Um dia sem carro...
Tirem suas bicicletas de casa!

sábado, 22 de setembro de 2007

Parceria

Parceria minha com Tom Siqueira, música caaaalma...
Foi dessa música que tirei o nome do blog.

Outros Ares - Analice Alves e Tom Siqueira

Meu peito aqui dentro bate calmo
Lá fora, o jeito é viver de espanto
Tanto pranto, tanto sonho
Tanta canto calado em vão

Saiba, meu coração anda mal
E o doutor mandou avisar
Que morrer de amor
É morte natural

Talvez seja melhor
Procurar outros mares
Já pensei até em
Respirar outros ares
Procurar em outros olhares
Um amor que é só seu

Por favor, me conduza ao teu mundo
Por favor, me faça esquecer de tudo
O que eu já vi
O que eu vivi
Antes de você

Meu amor, me mate de amor e de medo
Por favor, me mande cartas
Um torpedo
Um poema, de repente
Um e-mail
Uma corrente

Por favor, me mate de amor e de medo
Meu amor, me faça de capacho e de brinquedo
Me mate de susto, de repente
Me ligue no meio do expediente
Por favor, me conduza ao teu céu

11/07/07

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Memória

Poema escrito à pedido da professora Lygia na aula de Língua Portuguesa.

Memória - Analice Alves

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O riso da criança
A piada do avô
A janela escancarada
Teu sorriso na memória
O medo das ruas escuras
Minhas mãos nas tuas
A vida já vivida
Meus olhos perdidos nas rugas
A morte mal vinda
O último capítulo
Teu sorriso na memória
Meu fim
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quarta-feira, 19 de setembro de 2007

A sensação do menos querer

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O meu medo não é deixar de contribuir na caixinha de orgulhos, mas sim acha-la supérflua ou mesmo, pura matéria. Depois dos orgulhos terem virado pura abstração, a caixinha de orgulhos ficou na memória, na imaginação, pra falar a verdade, ela nunca existiu de fato dentro do armário do papai. Antes, qualquer poema escrito por mim, qualquer desenho feio e rabiscado, lá estava na caixinha, mas depois de crescida, os orgulhos passam a ser abstratos, não dá pra guardar um gesto dentro dela ou uma aprovação no vestibular. O máximo seria guardar o papel da inscrição das disciplinas, mas não a felicidade que se sente. A caixinha de orgulhos, de fato, não existe. Por mais que eu procure nas coisas dele uma caixa pequena com meu nome escrito, não vou achar. Era pura enganação, mentiras daquelas que alimentam nossa infância e nos fazem produzir sempre orgulhos achando que eles estarão, um dia, na caixinha de orgulhos do papai.